Imagem: Demétrio Aguiar/Divulgação Cemig
Com o avanço dos eventos meteorológicos extremos, a atuação preventiva passou a ser um diferencial estratégico no setor elétrico. Em Minas Gerais, a Cemig conta com um centro meteorológico próprio, equipado com uma sala de situação que conta com painéis de monitoramento em tempo real que utilizam ferramentas de monitoramento climático.
Além disso, o setor conta com o radar meteorológico localizado em Mateus Leme e a rede de detecção de raios, além de uma equipe de meteorologistas dedicados, permitindo o acompanhamento com precisão das condições climáticas em todo o estado.
A estrutura possibilita a identificação antecipada de tempestades, áreas com maior incidência de raios, volumes elevados de chuva e rajadas de vento. Essas informações são essenciais para o planejamento da operação. A partir desses dados, a companhia consegue mobilizar equipes, reposicionar recursos e reforçar estruturas antes mesmo da ocorrência dos eventos mais severos.
Com base nessas informações, são elaborados boletins, avisos e alertas meteorológicos, encaminhados aos centros de operação, que permitem a adoção de medidas focadas nas regiões mais impactadas, como a mobilização antecipada de equipes, com até quatro horas de antecedência.
Ruany Maia, meteorologista da Cemig, explica como o setor contribui com a eficiência operacional da companhia. ” Durante o período chuvoso, quando os riscos à rede elétrica aumentam, esse monitoramento contínuo favorece uma atuação mais rápida e assertiva, reduzindo impactos e ampliando a segurança da operação. A integração entre meteorologia e centros de operação tem se mostrado fundamental diante de um cenário climático cada vez mais desafiador”, esclarece a especialista.
Segundo dados consolidados do monitoramento meteorológico da Cemig, em 2025 a companhia emitiu 15,6 mil alertas meteorológicos com o objetivo de orientar as equipes de operação e manutenção em ações preventivas e de resposta a possíveis ocorrências na rede elétrica durante eventos severos.
No mesmo ano, a meteorologia da empresa identificou mais de 2 milhões de descargas atmosféricas em Minas Gerais, crescimento de cerca de 27,5% em relação ao ano anterior. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o total atingiu quase 50 mil registros, sendo aproximadamente 1,9 mil apenas na capital.
No período seco, queimadas são monitoradas
Para reduzir o tempo de interrupção em ocorrências relacionadas a queimadas, o setor de Meteorologia da Cemig desenvolveu um sistema que monitora, via dados de satélite, focos de calor a uma distância de até 1,5 km das linhas de distribuição e de transmissão da companhia.
“O sistema recebe informações de uma rede de satélites orbitais, que mapeiam, por meio de sensores térmicos, os focos de calor em todo o território mineiro. Esses dados são cruzados com as coordenadas georreferenciadas das linhas de distribuição e transmissão de alta tensão”, conta Ruany Maia.
Ela completa explicando que “com isso, o Centro de Operações da Cemig (COD) recebe alertas em tempo real sobre queimadas próximas à rede elétrica. A partir dessas informações, as equipes são acionadas para realizar inspeções em campo e, quando necessário, executar ações preventivas, como ajustes operacionais e manobras no sistema, com o objetivo de evitar interrupções no fornecimento de energia”.
Quando há risco ou impacto direto sobre torres e linhas de alta tensão, o COD avalia a possibilidade de transferir os clientes para outros circuitos, garantindo a continuidade do serviço enquanto as equipes realizam a manutenção no local. A mesma tecnologia também é utilizada no sistema de transmissão, auxiliando o Centro de Operação do Sistema (COS) na gestão de ocorrências em linhas de extra alta tensão, tornando o restabelecimento do fornecimento mais seguro e ágil.