Foto: Polícia Civil /Divulgação
Um bebê de oito meses morreu após dar entrada em um hospital de Montes Claros, no Norte de Minas, na tarde de sábado (7). A criança foi levada à unidade de saúde pelos pais já em parada cardiorrespiratória e apresentava lesões no corpo, o que inicialmente levantou suspeitas entre os profissionais de saúde.
De acordo com o registro policial, assim que o bebê chegou ao hospital a equipe médica iniciou manobras de reanimação. No entanto, os profissionais constataram sinais compatíveis com óbito já instalado, como ausência de sinais vitais, pupilas fixas e coloração arroxeada da pele.
Durante o exame clínico, os médicos identificaram escoriações no ombro esquerdo, além de sinais aparentes de laceração na região anal observados na fralda da criança e uma pequena equimose na região perineal. Diante das marcas, a equipe médica acionou a polícia por suspeita de possível violência.
Segundo as médicas responsáveis pelo atendimento, os pais relataram inicialmente que o bebê teria se engasgado com um pedaço de papel, mas não souberam informar por quanto tempo a criança teria ficado sem respirar.
Ainda conforme relato da equipe médica, durante o atendimento os profissionais foram até a recepção do hospital em busca de mais informações com os responsáveis, mas perceberam que os dois haviam deixado o local. Eles retornaram cerca de dez minutos depois.
O caso foi registrado pela Polícia Militar de Minas Gerais e encaminhado para investigação da Polícia Civil de Minas Gerais.
Segundo o chefe do 11º Departamento da Polícia Civil em Montes Claros, o delegado Jurandir Rodrigues César Filho, as primeiras análises da perícia indicam que a morte foi causada por choque elétrico. “Logo que tomamos conhecimento dos fatos, foi deslocado um perito criminal até a residência da criança e o corpo também foi encaminhado para exames no Instituto Médico-Legal. A medicina legal constatou que ocorreu um choque elétrico que teve início pela mão da criança e saiu pelo ombro, ocasionando uma lesão compatível com a saída da descarga elétrica”, explicou.
De acordo com o delegado, a análise também descartou indícios de violência sexual. “Na região anal da criança foi encontrado apenas um ressecamento, sem indícios de qualquer violência sexual. Não há qualquer vestígio de que a criança tenha sofrido esse tipo de violência”, afirmou.
Durante a perícia na residência da família, os investigadores identificaram um possível ponto de origem do acidente. “A perícia criminal encontrou o fio de um ventilador que estava descascado, o que pode ter provocado o choque elétrico”, acrescentou.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Os pais da criança já foram ouvidos e os laudos da perícia criminal e da medicina legal serão anexados ao procedimento investigativo.
Segundo o delegado, a investigação segue em andamento e o prazo inicial para conclusão do inquérito é de 30 dias.