Movimento 8M realiza 17ª Marcha das Mulheres em Montes Claros no dia 7 de março

Foto: Divulgação/8M

Mobilização cobra políticas públicas, enfrentamento ao feminicídio e reúne diferentes organizações sob a pauta do feminismo popular

 

O Movimento 8M realiza, no próximo sábado, 7 de março, a 17ª edição da Marcha das Mulheres de Montes Claros, dentro das mobilizações do Dia Internacional da Mulher. A concentração será na Praça do Automóvel Clube, a partir das 7h30, com saída prevista para as 9h.

O Movimento 8M reúne, sob a perspectiva do feminismo popular, movimentos de mulheres, organizações sociais, sindicais e políticas, além de pessoas que defendem pautas voltadas à garantia de direitos, especialmente de grupos historicamente silenciados.

Neste ano, o lema nacional das mobilizações é “Pela Vida das Mulheres: Contra o Imperialismo, por Democracia, por Soberania e pelo fim da escala 6×1”. Em âmbito municipal, o eixo definido é “Pela vida das mulheridades. Contra toda forma de opressão”.

Segundo a organização, ao afirmar “pela vida”, a marcha reivindica o direito das mulheres de viver sem violência e cobra justiça para vítimas de feminicídio. Em 2024, Montes Claros registrou quatro casos, dado que, de acordo com o movimento, reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção e responsabilização.

O termo “mulheridades” expressa uma perspectiva interseccional, reconhecendo a diversidade das experiências femininas — mulheres negras, indígenas, trabalhadoras, periféricas, com deficiência, LGBTQIA+, jovens e idosas. Já a expressão “contra toda forma de opressão” reafirma o compromisso com o enfrentamento das desigualdades estruturais de gênero, raça, classe, orientação sexual e identidade de gênero.

Organização e financiamento

Integrante da coordenação geral e responsável pelo grupo de finanças, Denise Borges Ferreira explica que a construção da marcha envolve diferentes frentes de trabalho, incluindo a captação de recursos.

“Eu faço parte da coordenação da construção da 17ª Marcha 8M-2026 e coordeno o grupo de finanças, que tem por finalidade captar recursos para que, efetivamente, a gente consiga fazer a nossa marcha no dia”, afirma.

Segundo ela, cinco mulheres atuam diretamente na busca de apoio junto a mandatos parlamentares da região, sindicatos, organizações não governamentais e entidades da sociedade civil organizada. “A gente busca esses recursos em várias frentes. Cada uma procura parceiros com quem tem mais afinidade, lembrando de sindicatos, organizações e apoiadores que possam contribuir”, explica.

Entre as principais bandeiras está o enfrentamento à violência contra a mulher. “Infelizmente não tem como não abordar a violência e o número de feminicídios. No Brasil, foram 1.470 mulheres mortas no ano passado. Em Montes Claros, foram quatro. É um dado alarmante”, ressalta Denise. “São trabalhadoras, quilombolas, negras, LGBTs, idosas, meninas. Não tem idade nem classe social. A gente reivindica o direito de viver.”

Como denunciar

É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. 

O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam) ou em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira.

Ainda é possível pedir ajuda por meio dos números Disque 100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e 190, de ocorrências policiais.

Marcha como instrumento de pressão

A cientista social Márcia Beatriz Inácio, conhecida como Bia Inácio, avalia que a mobilização cumpre papel fundamental na cobrança por políticas públicas.

“É quando as mulheres vão para as ruas com suas bandeiras, com suas reivindicações, apresentando aquilo que mais afeta suas vidas. A marcha serve para que a voz de todas seja ouvida e para que as nossas pautas cheguem à sociedade”, afirma.

Ela reconhece que há uma percepção de aumento da violência. “Dá essa impressão de que existe mais ódio. Muitas vezes só ficamos sabendo quando chega ao feminicídio, sem contar os inúmeros casos de agressão que não entram nas estatísticas”, pontua.

Ao mesmo tempo, destaca avanços legais. “Antes, homem podia matar em ‘defesa da honra’ e era absolvido. Isso caiu. A legislação avançou. O que precisamos agora é que ela seja rigorosamente cumprida”, declara.

Para Bia, a sociedade ainda reproduz práticas machistas. “Vivemos numa estrutura patriarcal. Muitas atitudes são aprendidas, inclusive por nós mulheres. Precisamos desconstruir isso. Quem não quer mulheres unidas se defendendo são aqueles que se beneficiam da nossa divisão”, afirma.

Ela também critica a revitimização de mulheres que sofrem violência. “A culpa nunca é da vítima. Não é a roupa, não é o local, não é o horário. É sobre quem escolheu violentar. Quantos homens traem e são mortos por isso?”, questiona.

Ao final, Bia Inácio reforça o convite para participação no ato. “Nós, integrantes do movimento 8M, das coordenadorias de enfrentamento ao feminicídio e do Fórum Norte Mineiro em Defesa da Vida das Mulheres e Meninas, entendemos que, quando as mulheres assumem o protagonismo, exercem sua autonomia e se tornam sujeitas da própria história, é possível transformar essa realidade. Por isso, é fundamental ocupar as marchas, participar, dizer que estamos aqui e que queremos viver no Norte de Minas com dignidade e segurança. Somos mais da metade da população e mães da outra metade. Que cada mulher se sinta convidada — e mais do que isso, parte dessa luta. Precisamos estar presentes e afirmar com firmeza: queremos uma cidade segura para todas as mulheres, queremos feminicídio zero. Venham participar da marcha.”

Percurso e programação

O trajeto sairá da Praça do Automóvel Clube, seguirá pela Rua Coronel Joaquim Costa e Avenida Governador Valadares, passando pela região do Banco do Brasil e pela Igreja do Rosário, com encerramento na Praça da Matriz, onde haverá palco com apresentações culturais protagonizadas por mulheres.

A expectativa é reunir entre 200 e 250 participantes, com possibilidade de adesão ao longo do percurso. A programação completa será divulgada no perfil oficial do movimento no Instagram (@8mmoc).

A marcha é aberta a todas as mulheres, organizações e à comunidade em geral. A coordenação também informa que interessados podem contribuir financeiramente para custear estrutura, faixas e alimentação durante o ato, por meio das redes sociais do movimento.

About The Author