Nova composição do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Montes Claros. Foto: Rejane Gonçalves
A nova composição do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (COMPAC) de Montes Claros, formada por 11 membros titulares e 11 suplentes, tomou posse na manhã desta terça-feira (04), em cerimônia realizada na Sala de Imprensa da Prefeitura, no bairro Jaraguá. A solenidade, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, marcou o início do novo quadriênio e reforçou o papel estratégico do colegiado na deliberação sobre bens históricos, culturais e imateriais, além de reafirmar o compromisso do município com a preservação da memória e da identidade coletiva.
A cerimônia contou com a presença do Prefeito Guilherme Guimarães, da secretária municipal de Cultura e Turismo, Júnia Velloso Rebello, e demais autoridades, evidenciando a importância deste momento para o fortalecimento das políticas de preservação do patrimônio cultural do município.
Entre os membros reconduzidos está a advogada Lara Gabrich, representante da 11ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no conselho. Segundo ela, o colegiado reúne representantes de entidades civis, acadêmicas e institucionais, como universidades, comércio, Crea e secretarias municipais.
“Hoje nós realizamos a posse da nova formação do Conselho para o próximo quadriênio. Estou sendo reconduzida, já atuei no quadriênio anterior na mesma função representando a 11ª subseção. O Conselho é formado por entidades civis e acadêmicas, e é onde deliberamos sobre todas as questões relacionadas ao patrimônio cultural de Montes Claros”, afirmou.
De acordo com Lara, todas as decisões envolvendo imóveis e bens culturais, sejam inventariados ou tombados, passam pela análise do conselho. “É uma forma de participação popular que auxilia a administração pública na tomada de decisões, como parte do princípio democrático, em questões muito importantes para Montes Claros, que é uma cidade riquíssima em arte, cultura e patrimônio histórico”, destacou.
Ela também ressaltou o papel estratégico do órgão na captação de recursos, especialmente por meio do ICMS Patrimônio Cultural. “Nossa atuação contribui para que o município consiga angariar verbas. Somos responsáveis pela condução do processo de patrimônio imaterial, como as Festas de Agosto e outros movimentos culturais, e validamos todas as intervenções humanas nos prédios da região histórica, inclusive na própria Catedral”, explicou.
Outro empossado foi o arquiteto e urbanista Ramon de Carvalho Guimarães, representante da Associação Regional de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Norte de Minas (AREA-NM). Ele destacou a importância da participação técnica nas decisões sobre preservação.
“Esse grupo de engenheiros e arquitetos é muito importante para as futuras deliberações do município em relação à qualidade da conservação do patrimônio histórico”, afirmou.
Ao comentar a demolição de imóveis antigos ao longo dos anos, Ramon avaliou que a cidade enfrentou perdas significativas. “Montes Claros perdeu muito com a questão do patrimônio a partir do momento em que famílias tradicionais foram se desligando do município. À medida que foram embora, o patrimônio ficou para trás e houve perda de interesse na conservação”, disse.
Segundo ele, o desafio atual é encontrar soluções para preservar imóveis que já não contam com o vínculo direto das famílias que lhes deram origem. “É um desafio muito grande pensar em soluções para que a conservação aconteça de forma efetiva”, pontuou, defendendo ainda maior atenção ao patrimônio natural e às áreas de relevância ambiental.
A presidente do conselho e secretária municipal de Cultura e Turismo, Júnia Velloso Rebello, destacou que os conselhos municipais são instrumentos essenciais da democracia participativa. “Os conselhos acompanham a administração pública na tomada de decisões e no diálogo com a sociedade. Hoje estamos dando posse ao Conselho de Patrimônio, que trata de manutenção, tombamento e identidades da cidade”, afirmou.
Segundo ela, o órgão atua de forma técnica e comprometida com os interesses coletivos. “O Conselho tem conselheiros com múltiplas especificidades, principalmente nas áreas arquitetônica, urbanística e histórica. Isso garante ao município um espaço qualificado para acompanhar a preservação do patrimônio e balizar decisões do poder público e da sociedade”, ressaltou.
Júnia também enfatizou que a cultura vai além das manifestações artísticas e está presente no cotidiano da população. “Presente, passado e futuro são material constante da cultura. Vai muito além do patrimônio edificado; tem a ver com o dia a dia da cidade, com a gastronomia, com os hábitos. Dar visibilidade a isso é fundamental para que as pessoas reconheçam seu valor”, afirmou.
Durante a cerimônia, o prefeito Guilherme Guimarães reforçou que a cultura é eixo estratégico da gestão municipal. Segundo ele, a criação da subsecretaria de Turismo associada à Cultura simboliza a integração entre identidade cultural e desenvolvimento econômico.
“A cultura hoje representa um grande investimento da Prefeitura. Ampliamos festas, criamos o arraial, realizamos eventos descentralizados nos bairros e triplicamos os investimentos no setor. Cultura não é só sentimento de alegria, é também atividade econômica que gera prosperidade”, afirmou.
O prefeito destacou ainda a colaboração com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) para a conclusão do teatro da instituição, com capacidade para 900 pessoas, além da requalificação da Sala Geraldo Freire, da reforma do Centro Cultural e da implantação de novos espaços culturais e de audiovisual.
“A posse dos novos conselheiros, reafirma o compromisso do município com a preservação do patrimônio material e imaterial, a valorização da identidade local e a gestão participativa das políticas públicas culturais, garantindo que a memória histórica permaneça viva para as futuras gerações”, conclui o prefeito.