Delegada de Homicídios da Polícia Civil de Minas Gerais, Francielle Drummond. Foto: Larissa Durães
Dois idosos foram mortos na noite de 26 de fevereiro de 2026, no bairro Santa Rafaela, em Montes Claros, após serem agredidos pelo próprio filho, de 37 anos. De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais, o suspeito teria feito uso de entorpecente antes de atacar as vítimas com uma barra de ferro e um bastão de madeira. Um sobrinho do casal, de 26 anos, também ficou ferido ao tentar conter as agressões.
Segundo a delegada Francielle Drummond, titular da Delegacia de Homicídios, a Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar o duplo homicídio, registrado após a PM ser acionada para atender a ocorrência de violência doméstica envolvendo o casal de idosos.
Conforme relatado, o chamado indicava que o homem estaria aparentemente sob efeito de drogas e agredindo os próprios pais. “A polícia compareceu ao local e encontrou o autor sentado no sofá, portando uma barra de ferro e um pedaço de madeira. Logo depois, foram localizados os corpos do pai, de 72 anos, e da mãe, de 66 anos”, informou a delegada.
Durante a ação, o sobrinho tentou intervir para impedir as agressões e acabou sendo atacado. “Ele tentou evitar as agressões e foi lesionado. Sobreviveu e será ouvido no curso das investigações”, afirmou.
O suspeito foi preso em flagrante e conduzido à delegacia de plantão, onde confessou os crimes. De acordo com Francielle Drummond, apesar de demonstrar consciência sobre o que havia feito, o homem apresentou falas consideradas desconexas ao justificar o crime. “Ele relatou que teria tido um sonho ou uma visão de que o pai tentaria abusá-lo sexualmente. Também mencionou conflitos relacionados a herança e disse que faz uso de medicação controlada”, explicou.
O caso foi encaminhado à Delegacia de Homicídios, que dará continuidade às diligências. A Polícia Civil irá ouvir novamente o sobrinho sobrevivente e vizinhos para apurar se as agressões eram recorrentes. Há registros de ocorrências nos anos de 2011 e 2013 que apontam episódios anteriores de violência contra os pais.
Apesar da confissão, a delegada ressaltou que é necessário esclarecer a dinâmica completa dos fatos. “Mesmo com a confissão, precisamos estabelecer exatamente como o crime ocorreu e se há outros desdobramentos. Os laudos periciais, que vão apontar a causa das mortes e demais detalhes, ainda serão juntados ao inquérito”, disse.
O suspeito poderá responder por duplo homicídio qualificado, sendo um dos crimes caracterizado como feminicídio — por ter sido praticado contra a própria mãe — além de tentativa de homicídio contra o sobrinho.
A Polícia Civil tem prazo de até dez dias para concluir o inquérito, que será encaminhado ao Ministério Público após a finalização das investigações. Vizinhos relataram ter ouvido barulhos e acionado a polícia, mas informaram que a ação foi rápida e não houve tempo para impedir o crime.