Homem é preso por espancar companheira e mantê-la em cárcere privado em Montes Claros

A Delegada Karine Maia da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), em coletiva sobre mais um caso de um homem espancando a companheira com agravante de mantê-la em cárcere privado. Foto: Larissa Durães

Suspeito tem histórico de violência doméstica e foi solto após audiência de custódia; Polícia Civil avalia pedir prisão preventiva

 

A Polícia Civil de Minas Gerais registrou ocorrência após denúncia anônima que apontava possível caso de violência doméstica e cárcere privado em um condomínio de Montes Claros. A diligência foi realizada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), que identificou indícios de agressão e encaminhou os envolvidos à delegacia de plantão. Os detalhes da ação foram apresentados em coletiva na sede da 11ª Região Integrada de Segurança Pública, nesta quinta-feira (26).

Segundo a delegada Karine Maia, o suspeito foi flagrado após espancar a companheira, de 33 anos, levá-la para um matagal, onde teria continuado as agressões motivadas por ciúmes, e, em seguida, mantê-la em cárcere privado por cerca de três dias. “Ela conseguiu, em determinado momento, enviar mensagens para uma amiga, que repassou à família. Os familiares acionaram a polícia e apresentaram o conteúdo, o que foi fundamental para a comprovação dos fatos”, afirmou.

A vítima foi localizada com diversas lesões pelo corpo e em forte abalo emocional. “Ela estava com muito medo, não queria denunciar e demonstrava claramente estar inserida em um ciclo de violência”, destacou a delegada. Conforme a Polícia Civil, o investigado de 35 anos, já possui outros três registros com base na Lei Maria da Penha e antecedentes de prisão em flagrante por agressões contra outras mulheres.

Apesar de ter sido preso em flagrante, o homem foi solto após audiência de custódia e responderá ao inquérito em liberdade. De acordo com a delegada, a vítima não solicitou medida protetiva naquele momento, o que pode ter  influenciado na decisão judicial. “Há crimes que independem da vontade da vítima para terem continuidade, especialmente quando há indícios de lesão corporal e cárcere privado. Entendemos que ela não estava em condições emocionais plenas para decidir”, explicou.

A Polícia Civil informou que poderá representar pela prisão preventiva caso o investigado volte a ameaçar ou se aproximar da vítima. “Estamos atentos ao caso. Se houver novo risco, adotaremos as medidas cabíveis”, afirmou.

As autoridades também ressaltaram a importância da denúncia por parte de familiares e amigos. Segundo a delegada, sinais como isolamento, proibição de trabalhar, retenção de celular, ameaças constantes, marcas de agressão e mudanças bruscas de comportamento são indícios que precisam ser observados. “Mesmo quando a vítima não deseja formalizar a denúncia, é fundamental que terceiros comuniquem às autoridades. Muitas mulheres estão em um ciclo de violência e precisam de apoio para romper essa situação”, reforçou.

O caso segue sob investigação.

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