Comércio mineiro inicia 2026 com expectativa de alta nas vendas, aponta Fecomércio MG

Foto: Larissa Durães

Pesquisa indica otimismo no estado; empresários de Montes Claros projetam crescimento impulsionado pela indústria e construção civil

 

Levantamento da Fecomércio MG aponta que o comércio mineiro inicia 2026 com expectativa positiva. De acordo com a Pesquisa Expectativa de Vendas para o primeiro semestre, 63,1% das empresas acreditam que as vendas nos seis primeiros meses do ano deverão superar o desempenho registrado no segundo semestre de 2025.

O estudo, elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da entidade, revela ainda que 70,6% das empresas avaliaram que o segundo semestre do ano passado foi igual ou melhor que o primeiro. Para 35,5%, houve crescimento nas vendas, enquanto 44,1% apontaram estabilidade.

Entre os empresários que projetam melhora em 2026, as principais justificativas são o otimismo em relação ao mercado (56,3%), o aquecimento do comércio (29,8%) e a oferta de novos produtos (21%). Por outro lado, 36,4% demonstram cautela, citando o preço elevado dos produtos e o cenário econômico nacional como fatores de preocupação.

Para impulsionar o faturamento, 43,9% das empresas pretendem investir em divulgação e propaganda, 30,4% em promoções e 26% em atendimento diferenciado. No calendário comercial, o Dia das Mães lidera como principal aposta (62,9%), seguido pelo Carnaval (32,5%) e pelo Dia dos Namorados (22,2%). O cartão de crédito parcelado deve ser o meio de pagamento mais utilizado (35%), seguido pelo Pix (33,9%) e pelo cartão à vista (20%).

Considerando todo o ano de 2026, 55,5% das empresas esperam resultados melhores que os de 2025, enquanto apenas 7,7% projetam desempenho inferior.

Reflexo em Montes Claros

Em Montes Claros, o assessor de comunicação do Sindcomércio Montes Claros, Fernando Queiroz, afirma que o município acompanha o otimismo estadual e vive um momento de expansão econômica. Segundo ele, o crescimento é impulsionado principalmente pela construção civil e pela instalação de novas indústrias.

“Quando a indústria cresce, o comércio cresce junto. É uma engrenagem: gera emprego, aumenta a renda e, consequentemente, o consumo”, destacou.

Sobre o cenário nacional, Queiroz reconhece os desafios econômicos, mas avalia que Montes Claros vive uma realidade distinta. “Estamos na contramão de algumas dificuldades do país. Aqui vemos crescimento, novos investimentos e movimentação econômica”, afirmou.

De acordo com ele, o aumento populacional também fortalece o comércio ao ampliar a demanda por moradia, materiais de construção e serviços. “O empreendedor precisa se programar para datas estratégicas, comprar bem e negociar melhor. Isso aumenta a margem e garante sustentabilidade”, orientou.

No setor madeireiro, o empresário Robson Alvarenga também projeta crescimento ao longo do ano. “Este ano será de crescimento nas vendas. Ano de eleição sempre circula mais dinheiro no comércio”, avaliou. Ele acredita que tanto o primeiro quanto o segundo semestre serão superiores aos de 2025.

Apesar de perceber um consumidor mais cauteloso, o empresário afirma que o mercado segue ativo. “O consumidor pesquisa mais, mas compra. O mercado está andando”, disse. Para ampliar o faturamento, ele aposta em divulgação digital e investimento em tráfego pago.

Em relação às formas de pagamento, Robson observa equilíbrio entre Pix e cartão. “Hoje eu diria que 40% das vendas são no Pix e 40% no cartão. No cartão, é meio a meio entre parcelado e à vista”, detalhou.

Segundo ele, em seu segmento as datas comemorativas não têm impacto direto, mas a sazonalidade influencia o desempenho. “No segundo semestre melhora porque se aproximam as chuvas e as pessoas correm para fazer telhado”, explicou. O empresário estima crescimento de até 25% na segunda metade do ano.

Para ele, o cenário exige trabalho contínuo e estratégia. “Mesmo estando em um momento bom, a gente tem que correr atrás. Não pode acomodar”, concluiu.

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