IFNMG vence o prêmio nacional de Cidadania Digital com criação de fotonovelas

Foto: Ricardo Matsukawa

o trabalho foi desenvolvido por professor do Campus Januária junto a estudantes do ensino médio

 

Num tempo em que a internet aproxima e também fere, educar para o mundo digital virou missão urgente. Foi nesse cenário que o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) transformou a sala de aula em espaço de reflexão, criatividade e cidadania. Com fotonovelas que falam de cyberbullying, telas e responsabilidade on-line, o projeto ganhou projeção nacional e rendeu ao IFNMG-Campus Januária a conquista do primeiro lugar no Prêmio Cidadania Digital em Ação 2025, promovido pela SaferNet Brasil em parceria com o governo do Reino Unido.

A disputa reuniu mais de 50 iniciativas vindas de escolas públicas de 11 estados brasileiros. O trabalho vencedor partiu de uma ideia simples e potente: transformar temas complexos da vida on-line em histórias acessíveis. Sob a orientação do professor Tiago Nunes Severino, alunos do segundo ano do ensino médio criaram as fotonovelas para falar de cyberbullying, uso excessivo de telas e compartilhamento não autorizado de imagens íntimas.

A premiação ocorreu em São Paulo, 10/2, durante a programação do Dia Mundial da Internet Segura 2026, e contou com as presenças do professor Tiago Severino, da estudante Maria Clara Mota Kelchik, que cursa o 3º ano do ensino médio integrado ao curso técnico em Meio Ambiente, e de representantes de empresas, pesquisadores, gestores públicos e educadores de todo o país.

O evento que sediou a premiação foi organizado pelo NIC.br, CGI.br e SaferNet Brasil e integra uma mobilização global. O tema deste ano, “Juntos por uma Internet mais positiva”, reflete um movimento que ultrapassa fronteiras e alcança mais de 180 países. A data reúne, anualmente, escolas, governos e organizações para discutir segurança digital, cidadania e proteção de direitos no ambiente virtual.

Clique aqui e assista à gravação do evento.

Protagonismo que nasce na escola

No palco, ao receber o prêmio, o professor Tiago Severino falou com a serenidade de quem sabe que o resultado é fruto de um trabalho coletivo. Ele resumiu o propósito do projeto em uma frase: “Nosso objetivo com esse trabalho era ensinar o aluno como ler criticamente os conteúdos que eles recebem dos diversos dispositivos de mídia”. Segundo o educador, a proposta nunca foi colocar a tecnologia como vilã ou heroína, mas preparar os estudantes para lidar com ela de maneira consciente e responsável.

Mais do que ensinar conteúdos, o professor defendeu a educação como ferramenta de transformação social. Ele lembrou que é preciso cultivar o que Ariano Suassuna chamava de “realismo esperançoso”. E completou: “Essa geração que está com o celular na mão, que cresce com esses dispositivos, têm a chance de ser mais humano, de ser mais altruísta e construir um mundo muito melhor do que a nossa geração fez até esse momento”.

E se a ideia partiu do professor, a voz do projeto ganhou força com os estudantes. Representando os estudantes vencedores do Instituto, a aluna Maria Clara Mota Kelchik, destacou que participar da iniciativa foi muito mais do que desenvolver um trabalho escolar. Foi um aprendizado para a vida. “Foi uma experiência incrível, onde pude agregar meus conhecimentos no âmbito digital. Aprendi a importância de preservar as crianças e adolescentes de conteúdos negativos da internet”, relatou Maria Clara.

Na visão da estudante, falar sobre cidadania digital é urgente: “É um tema pertinente no atual cenário, pois com ele é possível navegar em sites de maneira segura, onde podemos desfrutar de conteúdos que nos agregam e não infringem nossos direitos”.

Um prêmio que valoriza a escola pública

Prêmio Cidadania Digital em Ação foi criado para reconhecer experiências pedagógicas que promovem o uso seguro e responsável da internet nas escolas públicas brasileiras. Nesta edição, participaram instituições da Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná.

Além do IFNMG, chegaram à final o Colégio Estadual Filinto Justiniano Bastos de Seabra (BA) e a Escola Professora Maria do Carmo de Araújo Maia (BA), que ficaram com o segundo e terceiro lugares, respectivamente.

O projeto do Campus Januária destacou-se pela criatividade e pela forma como conectou a cultura local às discussões sobre cidadania digital. A iniciativa resultou em materiais educativos produzidos pelos próprios estudantes, mostrando que a educação tecnológica pode ser crítica, humana e transformadora.

Como premiação, o professor recebeu um notebook, e a escola foi contemplada com troféu e reconhecimento nacional. Os estudantes ganharam medalhas, certificados e kits do projeto. Cada educador finalista participou da cerimônia acompanhado por um estudante representante de sua escola, com todas as despesas custeadas pela organização.

Internet segura: um desafio coletivo

O Dia Mundial da Internet Segura, que motivou toda a programação, reforça anualmente a importância da cooperação entre escolas, famílias, empresas e governos para garantir um ambiente digital mais ético e protegido. Durante o evento em São Paulo, especialistas destacaram dados preocupantes, como o aumento de casos de exposição de imagens íntimas sem consentimento e o crescimento de crimes de ódio na internet.

Nesse cenário, iniciativas como a do IFNMG mostram que a educação é um dos caminhos mais eficazes para enfrentar esses desafios. Inclusive, o professor Tiago Severino enfatiza que a partir deste ano a Educação Digital e a Computação passam a ser componentes curriculares obrigatórios em todas as escolas brasileiras da Educação Básica, públicas e privadas, conforme diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE) e do Ministério da Educação (MEC).

A medida está alinhada à BNCC Computação e tem como foco o desenvolvimento do pensamento crítico, da cultura digital e do uso ético da tecnologia, preparando os estudantes para os desafios do mundo contemporâneo. Para atender à nova exigência legal, as instituições de ensino deverão promover revisão curricular, adequação de infraestrutura e formação de professores.

Nesse processo de implementação, ferramentas pedagógicas qualificadas tornam-se fundamentais. Um exemplo apontado pelo professor Tiago é o Caderno de Aulas da ONG SaferNet Brasil – Cidadania Digital, material utilizado no projeto desenvolvido pelo Campus Januária. O conjunto oferece planos de aula completos, alinhados à BNCC, à BNCC Computação e às Diretrizes de Educação Digital e Midiática, com slides, atividades e materiais de apoio prontos para uso em sala.

Clique aqui e saiba mais sobre os materiais da  Disciplina de Cidadania Digital da SaferNet Brasil.

Clique aqui para mais informações sobre o Dia da Internet Segura

Recebeu o Prêmio Cidadania Digital em Ação, o professor Tiago Severino. Foto: Ricardo Matsukawa

 

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