Foto: Divulgação/ IFNMG
O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) estará representado nesta terça-feira, 10 de fevereiro, na cerimônia do Prêmio Cidadania Digital em Ação, promovido pela Safernet Brasil em parceria com o governo do Reino Unido. O professor Tiago Nunes Severino, do IFNMG-Campus Januária, é um dos três finalistas da terceira edição da premiação, que reconhece projetos inovadores de Educação Digital desenvolvidos em escolas públicas brasileiras.
O anúncio dos vencedores ocorrerá em São Paulo, durante o evento principal do Dia da Internet Segura, celebrado nacionalmente pela Safernet há 18 anos. Além do reconhecimento público, os premiados receberão notebooks, leitores digitais, pulseiras digitais, troféus e medalhas. Cada educador finalista participará da cerimônia acompanhado por um estudante representante de sua escola, com todas as despesas custeadas pela organização.
A terceira edição do Prêmio Cidadania Digital em Ação recebeu 54 inscrições de todo o país, provenientes de escolas que participaram da Disciplina de Cidadania Digital em 2025. Nove projetos chegaram à semifinal e, após avaliação de júri especializado e votação popular, três foram selecionados como finalistas: dois da Bahia e um de Minas Gerais, representado pelo IFNMG.
A iniciativa ganha ainda mais importância em 2026, já que a Educação Digital passará a integrar obrigatoriamente o currículo das escolas brasileiras, conforme diretrizes nacionais.
Será possível acompanhar ao vivo a premiação no site da Safernet. Clique aqui e acesse.
Projeto do IFNMG une arte e cidadania digital
O trabalho finalista do professor Tiago Severino nasceu nas aulas de Artes do ensino médio integrado. Como atividade de conclusão do conteúdo de Cidadania Digital, estudantes produziram fotonovelas com foco no bem-estar nas redes sociais e no uso consciente das tecnologias. O projeto, que une o folclore do distrito de Brejo do Amparo, na zona rural da cidade, à cidadania digital, mostra que a resposta para os dilemas da era conectada também pode estar escondida no passado.
“Januária, onde trabalho há quatro anos, tem uma cultura popular muito viva. É uma cidade ribeirinha do São Francisco, com Cavalhadas, Folia de Reis e tradições familiares fortes”, conta o finalista do Prêmio Cidadania Digital em Ação 2025, ao falar sobre a cidade de 65 mil habitantes, com muitos estudantes da zona rural, indígenas e quilombolas. “Januária está entre as cidades brasileiras com maior população quilombola”, conta o professor. Ele propôs que os roteiros das fotonovelas partissem dessa realidade cotidiana e fossem construídos com base na vida local. A escola, aliás, oferece ensino médio integrado em agropecuária, meio ambiente ou informática.
Ao longo de dez anos de magistério, Tiago percebeu que a abordagem tradicional com quadro e giz não dialogava com estudantes nascidos em um universo já dominado pela linguagem midiática. Se seus alunos já fotografavam, faziam vídeos para o TikTok e seguiam influenciadores, a escola, segundo ele, deveria oferecer o “recorte da realidade”. Foi assim que nasceu o projeto Captcha, nome inspirado nas verificações de segurança online usadas para distinguir humanos de robôs. Para Tiago, “o ato de criar é a maior prova de que somos humanos”.
O projeto envolveu 219 estudantes de sete turmas do segundo ano do ensino médio técnico e utilizou a fotonovela como ferramenta pedagógica inovadora. A escolha por uma mídia considerada “antiga” não foi por acaso. Ao levar revistas amareladas para a sala de aula, Tiago despertou a curiosidade dos jovens por uma estética que serviu de ponte para ensinar conceitos complexos de fotografia, como enquadramento e narrativa visual, e, sobretudo, cidadania digital. O objetivo central era abordar as diretrizes de educação digital de forma contextualizada e próxima da realidade dos alunos.
Tiago transformou os celulares dos próprios jovens em ferramentas educativas já dominadas por eles. A prática pedagógica foi dividida em três etapas: desenho, para treinar o olhar; fotografia, para compreender a linguagem visual; e cinema, para dar movimento à narrativa. “A fotonovela funciona porque une curiosidade, estética, prática e teoria. Mostro a eles as revistas antigas, contextualizo historicamente e conduzo uma análise crítica”, diz.
Durante as atividades, realizadas entre outubro e novembro de 2025, os estudantes foram desafiados a produzir roteiros baseados em suas vivências cotidianas. A fotonovela “Não deixe morrer”, sobre as Cavalhadas (encenações teatrais a céu aberto), foi um dos destaques entre as 20 histórias produzidas. Nela, a protagonista percebe que está rompendo laços geracionais ao passar tempo demais no celular, preferindo os jogos digitais aos ensaios com a mãe, profundamente envolvida com essa tradição. “Falamos sobre tradições familiares que muitas vezes deixamos de viver por ficarmos ligados aos sistemas digitais. Às vezes, até com nossas próprias famílias, esquecemos o que realmente importa”, reflete a aluna Maria Clara, protagonista da história.
Três produções se destacaram:
- “O Preço da Fama Digital”, que aborda a desinformação nas redes;
- “Não Deixe Morrer”, sobre o enfraquecimento dos laços familiares devido ao uso excessivo de telas;
- “Desligando a Tela”, que trata do tempo exagerado dedicado aos dispositivos digitais.
Atuação, fotografia, roteiro e diagramação foram inteiramente realizados pelos próprios alunos, transformando o celular, muitas vezes visto como distração em sala de aula, em ferramenta pedagógica.