Mapa Mineiro de Qualificação busca alinhar cursos gratuitos às demandas reais do mercado de trabalho

Foto: Victor Fagundes / Sede

Iniciativa do Governo de Minas orienta programas como Trilhas de Futuro e Minas Forma e aposta na participação de empresas e trabalhadores para suprir a falta de mão de obra qualificada

 

O Governo de Minas Gerais está realizando o Mapa Mineiro de Qualificação Profissional, iniciativa coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) que tem como objetivo identificar as principais demandas de mão de obra no estado e alinhar a oferta de cursos gratuitos às necessidades reais do mercado de trabalho. O levantamento orienta políticas públicas como os programas Trilhas de Futuro e Minas Forma, conectando capacitação profissional e oportunidades de emprego.

A proposta parte do princípio de que ações de qualificação só são efetivas quando refletem a realidade de cada região. Para o subsecretário de Inclusão Produtiva, Trabalho, Emprego e Renda da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), Arthur Campos, o mapeamento é uma etapa fundamental do planejamento. “Uma política pública de qualificação profissional só funciona quando começa lá no território. O mapa de demanda é mais do que fundamental, porque é a partir dele que contratamos os cursos que realmente vão suprir o mercado”, afirma.

Segundo o subsecretário, o levantamento permite identificar as necessidades imediatas das empresas e o perfil da mão de obra exigida em cada localidade. “A gente identifica o que as empresas estão precisando naquele momento, qual é a mão de obra necessária em determinada região, e leva cursos assertivos para que os mineiros e mineiras ocupem essas vagas”, explica.

O processo é desenvolvido de forma integrada, com apoio dos municípios e de outras pastas do governo estadual. “É nesse momento que contamos com a colaboração das empresas e das prefeituras para cruzar a demanda existente com aquilo que, de fato, será ofertado à população”, completa Arthur Campos.

Na avaliação do subsecretário de Atração de Investimentos e Cadeias Produtivas, Daniel Medrado, o Mapa Mineiro de Qualificação Profissional é um instrumento estratégico para enfrentar um dos principais gargalos do setor produtivo. “A falta de mão de obra qualificada afeta diretamente as empresas. O mapeamento permite identificar oportunidades e necessidades para direcionar as políticas públicas exatamente onde há vagas e demanda por profissionais”, destaca.

Medrado reforça que a participação da sociedade é essencial para o sucesso da iniciativa. “A identificação das vagas acontece por meio de uma consulta pública, feita com empresários, sindicatos, associações e demais setores produtivos. É ouvindo quem emprega que conseguimos direcionar melhor os cursos”, explica. Segundo ele, os resultados já são perceptíveis. “Cerca de 80% das vagas mapeadas nos últimos anos se converteram em empregos gerados por programas como o Trilhas de Futuro e o Minas Forma”, ressalta.

Na área da educação, o programa Trilhas de Futuro tem papel central nesse processo. Desde 2021, a iniciativa da Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG) já formou mais de 95 mil estudantes em cursos técnicos, alcançando 178 municípios mineiros, com a participação de quase 400 instituições de ensino. Para a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Kellen Silva Senra, o programa amplia horizontes para os jovens e fortalece o desenvolvimento econômico do estado. “O Trilhas de Futuro oferece formação técnica, prepara a mão de obra e permite que o jovem vislumbre um futuro profissional ainda durante o ensino médio”, afirma.

No Norte de Minas, os reflexos dessa política já começam a ser sentidos pelo setor produtivo, especialmente no comércio e na indústria da moda. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montes Claros, Ernandes Ferreira, avalia que o município vem se consolidando como um polo regional. “Temos fábricas e polos de confecção em cidades do entorno, especialmente na área de vestuário e lingerie, o que fortalece diretamente o comércio local”, destaca.

Segundo ele, iniciativas de integração entre produção e varejo têm impulsionado o setor. “Realizamos feiras de aproximação entre o polo de confecção e o comércio de Montes Claros, ampliando vendas e fortalecendo a moda regional”, afirma. Ernandes ressalta ainda que a qualificação profissional é hoje a principal demanda do segmento. “O mercado muda o tempo todo. Capacitação constante e inovação são essenciais para manter o consumidor no circuito local”, pontua.

Apesar dos avanços, a realidade do trabalhador revela desafios. Para o Sindicato dos Empregados do Comércio de Montes Claros (Sindcomerciários-MOC), o setor vive uma contradição: há muitas vagas abertas, mas falta mão de obra qualificada. Segundo o representante sindical Marcelo Braga, a exigência por qualificação é cada vez maior. “Temos uma grande oferta de empregos e uma demanda alta de contratações, mas é fundamental que o trabalhador esteja continuamente qualificado”, afirma.

Entre os principais obstáculos, ele aponta o fator econômico e a falta de investimento das empresas. “Muitas vezes o empregador não investe na qualificação de quem já está no quadro. O trabalhador busca se capacitar, mas encontra dificuldade por falta de incentivo e de oportunidades adequadas”, explica.

O sindicato atua para minimizar essas barreiras por meio das negociações coletivas, oferecendo acesso a cursos gratuitos. Ainda assim, Braga avalia que programas públicos como o Trilhas de Futuro e o Minas Forma precisam dialogar mais com o perfil do trabalhador do comércio. “São iniciativas importantes, mas ainda muito voltadas ao aprendizado inicial. O trabalhador que já está no mercado precisa de qualificação específica para crescer profissionalmente”, observa.

Para ele, a participação ativa de trabalhadores e entidades representativas no Mapa Mineiro de Qualificação Profissional é decisiva. “É o trabalhador que sabe onde estão as oportunidades e onde estão as lacunas. Essa escuta é fundamental para que os cursos oferecidos estejam alinhados à realidade de Montes Claros e às necessidades reais do mercado”, conclui.

*Com informações da Sede-MG

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