Polícia Civil encerra investigação sobre tortura contra jovem e prende mulher em Montes Claros

Foto: Larissa Durães

Vítima de 21 anos sofreu agressões graves durante cerca de 20 dias; suspeita foi presa preventivamente e responderá por tortura qualificada e outros crimes

 

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou, nesta terça-feira (3), em coletiva de imprensa realizada em Montes Claros, o encerramento das investigações sobre um caso de tortura que deixou um jovem de 21 anos gravemente ferido, em novembro do ano passado. A apuração resultou na prisão preventiva de uma mulher de 33 anos, apontada como autora das agressões.

A coletiva ocorreu na sede da 11ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), no bairro Ibituruna, e detalhou o trabalho desenvolvido pela equipe da 1ª Delegacia de Polícia Civil do município. A prisão da investigada foi cumprida na tarde de segunda-feira (2), após autorização judicial.

O delegado regional Bruno Rezende da Silveira, titular da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil em Montes Claros, classificou o caso como emblemático e destacou a complexidade da investigação. Segundo ele, inicialmente a própria vítima não indicava corretamente a autoria do crime, o que exigiu aprofundamento técnico e trabalho minucioso de inteligência. “Foi uma investigação extremamente qualificada, que permitiu retirar de circulação uma pessoa considerada perigosa e responsabilizá-la criminalmente”, afirmou.

A delegada Monique Bicalho, titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Montes Claros, explicou que a investigação teve início em 3 de janeiro deste ano, após a vítima apresentar fotografias das lesões sofridas. Até então, o caso era tratado como uma possível lesão corporal. Com a análise do material, a polícia constatou indícios de violência extrema e instaurou inquérito policial.

De acordo com a delegada, o jovem relatou inicialmente que teria sido agredido pela ex-namorada e pelo atual companheiro dela, com o uso de chapinha de cabelo e ferro de passar roupa, o que lhe causou queimaduras em várias partes do corpo e resultou em cerca de 30 dias de internação hospitalar. Ele afirmou ainda que não contou à família por medo de ameaças.

Com base nesse relato, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos primeiros suspeitos. No entanto, durante o andamento das diligências, surgiram contradições nos depoimentos. A análise de celulares, registros de deslocamento e a realização de acareações indicaram que a versão apresentada inicialmente não condizia com os elementos apurados.

A partir dessas inconsistências, os investigadores passaram a trabalhar com a hipótese de que a vítima estaria sendo coagida. Em novo depoimento, o jovem revelou que, na verdade, a autora das agressões era sua atual namorada, a mesma que o acompanhava ao hospital e à delegacia. Segundo ele, as agressões ocorreram de forma contínua por cerca de 20 dias, motivadas por ciúmes excessivos e comportamento controlador da suspeita, que o submetia a violência física e psicológica sob graves ameaças.

A Polícia Civil apurou que todos os envolvidos trabalhavam na mesma empresa, em Montes Claros. A investigada teria criado um enredo para incriminar terceiros e ocultar a própria autoria dos crimes, mantendo a vítima sob forte coação psicológica.

Com a conclusão das diligências, a polícia representou à Justiça por mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva da suspeita, ambos deferidos. Na residência da mulher, os policiais localizaram chapinhas de cabelo e um ferro de passar roupa, que estavam escondidos, e que, segundo a investigação, teriam sido utilizados nas agressões.

A mulher responderá, em princípio, pelos crimes de tortura qualificada por lesão corporal gravíssima, ameaças, violência psicológica e denunciação caluniosa. O inquérito policial deverá ser concluído nos próximos dias e encaminhado ao Poder Judiciário.

Segundo a Polícia Civil, a vítima é considerada vulnerável e deverá receber acompanhamento especializado. “Não há dúvidas de que se trata de uma vítima de violência extrema, tanto física quanto psicológica”, afirmou a delegada Monique Bicalho.

“Ao final, conseguimos retirar de circulação uma pessoa considerada perigosa e dar uma resposta firme à sociedade”, concluiu a delegada Monique Bicalho. Se condenada, a agressora poderá pegar de quinze a vinte anos.

Fotos da agressão e objetos usados na agressão, apresentados pela polícia na coletiva

 

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