imagem: divulgação

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Entre monstros, mortos e inocência: uma jornada onde até a esperança nasce marcada pela tragédia.

 

 
Clevatess: Majū no Ō to Akago to Shikabane no Yūsha é um mergulho sombrio em um mundo despedaçado, onde até a esperança parece nascer já marcada pela tragédia. O anime acompanha Clevatess, um dos Senhores das Bestas Negras, cuja existência é moldada pela violência e pela ruína. Ao derrotar heróis predestinados a matá-lo em busca de paz, ele decide ir até o reino que os enviou para compreender por que insistem tanto em atacá-lo.

 

Em meio à destruição e a seus próprios questionamentos, um aldeão lhe oferece uma criança, sob o pretexto de que ela mostraria que a humanidade não está perdida. Sua decisão de adotar um bebê humano e de reviver um herói morto introduz uma contradição pungente: o monstro que destrói também protege, mesmo sabendo que o mundo ao redor já não acredita em redenção.

 

O herói ressuscitado, reduzido a uma sombra de sua glória, carrega o fardo de ser um cadáver animado — um símbolo de derrota transformado em companheiro. O bebê indefeso, por sua vez, torna-se a última esperança de um mundo que já não acredita em salvação. Essa tríade improvável — o monstro, o morto e a criança — é uma metáfora dolorosa sobre como a vida insiste em florescer mesmo em solo devastado.

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Durante a jornada, outra companheira se junta ao grupo: Nelluru. Em vida, ela fazia parte de um grupo de prostitutas que, em troca de alguns tostões, ofereciam prazer aos viajantes. Seu destino, porém, era ainda mais cruel, pois seu trabalho consistia em prover leite às crianças famintas que por ali passavam. Após sua morte trágica, Clevatess uniu sua existência à de um troll, concedendo-lhe força e liberdade. Apegada à criança, Nelluru decide cuidar dela, oferecendo conforto e alimento, e acompanha o grupo em sua jornada.

 

A estética do anime reforça a melancolia da narrativa. A trilha sonora soa como um lamento distante, cada nota carregada de saudade e dor. Os cenários, tingidos de cinza e decadência, não oferecem consolo: são ruínas que sussurram que nada dura, que toda esperança é breve. Não há brilho heroico, apenas o contraste cruel entre a brutalidade das bestas e a fragilidade da esperança.

 

Clevatess não é uma história de vitória, mas de persistência. É um espelho da inevitabilidade da perda, da consciência de que, mesmo quando se tenta salvar o mundo, o peso da escuridão nunca desaparece por completo. Ao final do anime, permanecemos nos questionando: “Afinal, quem é o verdadeiro vilão?”; “Será que, no fim das contas, a humanidade não seria apenas vítima de um mundo hostil, lutando apenas para sobreviver?”

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