Operação Hooligans mobiliza forças de segurança para conter violência entre torcidas em Montes Claros

Central de plantão para enfrentamento de violência entre torcidas em Montes Claros. Foto: Larissa Durães

Ação conjunta cumpre mandados, apreende armas e reforça esquema especial para jogo entre North Esporte Clube  e Atlético Mineiro

 

Com foco na prevenção de confrontos entre torcidas organizadas rivais e no reforço da segurança para o jogo entre North Esporte Clube  e Atlético Mineiro, as forças de segurança de Minas Gerais deflagraram, na manhã desta terça-feira (13), a operação Hooligans, em Montes Claros. A ação integra um trabalho de investigação iniciado em 2025, após a identificação de uma escalada de violência envolvendo grupos ligados a grandes clubes do futebol mineiro.

A operação Hooligans foi desencadeada pela Polícia Civil de Minas Gerais em parceria com as Polícias Militar e Penal e a Guarda Civil Municipal. A mobilização ocorreu na sede da 11ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), no bairro Ibituruna, e resultou na condução de um suspeito e na apreensão de diversos objetos usados em confrontos entre torcidas.

Segundo o tenente-coronel Lúcio Silva, comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, a ação tem caráter preventivo e repressivo. “A operação foi desencadeada com a finalidade de mitigar ou até prevenir ações de enfrentamento entre essas torcidas organizadas. Cumprimos seis mandados e, em um deles, houve condução em flagrante e apreensão de materiais típicos de confrontos, como facas, soqueiras e aparelho celular”, afirmou.

Para o dia da partida, a Polícia Militar montou um esquema especial de segurança, com atuação dentro e fora do estádio. “Haverá ocupação interna do estádio, com policiamento especializado, divisão das torcidas, policiamento nas arquibancadas e também no entorno, com presença nas ruas e nos portões, para evitar qualquer foco de tensão”, explicou.

O acesso ao estádio será rigorosamente controlado. “Não será permitida a entrada de torcedores com camisas de times rivais que não estejam envolvidos diretamente na partida. Por exemplo, quem estiver com camisa do maior rival do Atlético Mineiro não poderá entrar”, ressaltou o comandante.

Caso alguém seja flagrado portando objetos proibidos, as medidas legais serão adotadas. “Há todo um aparato para registro das ocorrências e, em último caso, a condução para a autoridade policial judiciária. Dependendo da gravidade, a pessoa pode até ser banida dos estádios”, destacou Lúcio Silva.

O comandante também explicou que este jogo servirá como teste para o planejamento de segurança. “Após cerca de 15 anos fora do cenário do futebol de maior expressão, este primeiro jogo será nosso termômetro para avaliar a efetividade das medidas, visando os outros três jogos da primeira fase”, pontuou.

Mais de 50 policiais militares estarão empenhados na operação. “As famílias podem ficar tranquilas. Teremos segurança dentro e fora do estádio, ações de trânsito e policiamento preventivo”, garantiu.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram que integrantes das torcidas utilizavam redes sociais para incitar confrontos. “Eles exibiam camisas e bonés da torcida rival como troféus, resultado de embates considerados vitoriosos”, afirmou o delegado César Salgueiro, da Delegacia de Investigações Especiais.

Com base nesse monitoramento, a Polícia Civil representou judicialmente e obteve 17 mandados de busca e apreensão, todos cumpridos nesta terça-feira. “Arrecadamos punhais, soqueiras, uma mini espada e barras de metal, objetos utilizados em crimes que já ocorreram em 2025”, relatou o delegado.

A operação também teve caráter preventivo. “Identificamos em celulares apreendidos conversas e articulações para possíveis confrontos no dia do jogo. A intenção foi inibir qualquer preparação para novos atos de violência”, destacou Salgueiro.

Um dos investigados foi preso em flagrante após a polícia encontrar munições de arma de fogo em sua residência. “Foi dada voz de prisão e feita a formalização do flagrante”, informou.

Segundo a polícia, o suspeito é membro ativo de torcida organizada e já possui antecedentes. “A investigação agora foca na possível existência de uma organização criminosa infiltrada nessas torcidas, envolvida não só em violência, mas também em outros crimes”, concluiu o delegado.

A Guarda Civil Municipal também integra o esquema de segurança. De acordo com o comandante Cosme Azevedo, a corporação atuará nas imediações do Estádio Juvêncio, no Parque das Mangueiras. “Estaremos ofertando segurança ao patrimônio público, aos moradores e aos visitantes que participarem do jogo”, afirmou.

A expectativa é de grande movimentação. “Dentro do estádio devemos ter cerca de 3 mil pessoas, mas no entorno o público pode chegar a 10 ou 15 mil, inclusive torcedores vindos de Belo Horizonte”, explicou.

Para garantir a segurança, algumas ruas do entorno serão interditadas. “As vias próximas estarão fechadas e o desembarque será feito em ruas laterais mais distantes. A MCTrans ficará responsável pelo controle do tráfego”, destacou.

Cerca de 12 guardas municipais estarão atuando no entorno do estádio, enquanto a parte interna ficará sob responsabilidade da Polícia Militar. A ação integrada visa garantir tranquilidade aos torcedores e moradores durante o evento esportivo.

Veja vídeo do que foi apreendido

Larissa Durães

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