Minas registra quase 60 mil acidentes com animais peçonhentos em 2025 e reforça alerta para período chuvoso

Sempre que possível, recomenda-se registrar uma imagem do animal, sem colocá-lo em risco, para auxiliar na identificação da espécie e na condução do tratamento . Foto: Lucas Luckeroth / Funed

Escorpiões lideram ocorrências no estado; autoridades orientam população sobre prevenção e busca imediata por atendimento médico

 

Minas Gerais contabilizou quase 60 mil acidentes envolvendo animais peçonhentos ao longo de 2025, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Os registros incluem ocorrências com escorpiões, serpentes, aranhas, lagartas, abelhas e outras espécies, reforçando o alerta para o período chuvoso, marcado por temperaturas elevadas e aumento da umidade.

De acordo com a SES, apesar do número expressivo de notificações, a maioria dos casos foi atendida de forma ambulatorial, sem necessidade de internação hospitalar. Ainda assim, a orientação é clara: em situações de picadas ou ferroadas, a vítima deve procurar atendimento médico imediatamente.

Os dados mais recentes mostram que os escorpiões seguem liderando os acidentes no estado, com mais de 42 mil ocorrências em 2025. Na sequência aparecem os registros envolvendo aranhas, abelhas e serpentes.

O biólogo Rafael Batista, do Serviço de Animais Peçonhentos da Fundação Ezequiel Dias (Funed), explica que, em Minas e em toda a região Sudeste, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é a espécie mais comum e abundante, sendo a principal responsável pelos acidentes.

Vinculada à SES-MG, a Funed atua na vigilância, monitoramento e orientação técnica sobre esse tipo de ocorrência, apoiando municípios e profissionais da saúde. Segundo Batista, o aumento dos casos está relacionado a fatores como a alta capacidade reprodutiva da espécie e as condições climáticas, especialmente nos meses mais quentes e úmidos.

“Esses fatores, como o clima mais quente e úmido, fazem com que os escorpiões apareçam mais e, consequentemente, o número de acidentes pode aumentar”, explica o biólogo.

Medidas de prevenção

Para reduzir os riscos, Batista destaca ações simples que podem ser adotadas principalmente dentro de casa. “É importante remover o lixo, evitar o acúmulo de resíduos nas residências e vedar todas as frestas e ralos de banheiros, pias e portas. Essas medidas ajudam a diminuir o aparecimento de escorpiões nas casas”, orienta.

Atendimento deve ser imediato

Em caso de acidente, a recomendação é lavar o local da picada apenas com água e sabão e encaminhar o paciente o mais rápido possível ao hospital de referência da região.

“O ideal é procurar atendimento o quanto antes”, reforça Batista. Em Belo Horizonte e na região metropolitana, o Hospital João XXIII, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), é referência nesse tipo de atendimento.

O estado também conta com unidades especializadas que dispõem de soros antivenenos, quando indicados. Sempre que possível, recomenda-se registrar uma imagem do animal, sem se colocar em risco, para auxiliar na identificação da espécie e na condução adequada do tratamento.

A relação completa das unidades de soroterapia está disponível neste link.

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