Foto: Freepik
A cesta básica natalina, composta por itens tradicionais das ceias de Natal e Ano Novo, ficou mais cara em Montes Claros em 2025. Levantamento do Setor de Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) aponta alta média de 8,13% nos preços dos produtos que integram a chamada Cesta Natalina, percentual inferior ao registrado em 2024, quando a variação chegou a 12,4%, mas ainda considerado elevado para o orçamento das famílias.
A Cesta Natalina é calculada desde 2019 pela Unimontes e reúne alimentos e bebidas tradicionalmente consumidos nas comemorações de fim de ano, como proteínas animais, castanhas, frutas secas, bebidas, produtos in natura e industrializados. Os dados deste ano foram coletados no comércio varejista local durante o mês de novembro e as duas primeiras semanas de dezembro de 2025, por uma equipe de estagiários do IPC. Segundo os pesquisadores, os preços ainda podem sofrer novos reajustes até o Natal, devido ao aumento sazonal da demanda.
Entre os itens das ceias, o bacalhau apresentou a maior elevação de preço, com alta de 19,4%, influenciada principalmente pela valorização do dólar. Outras proteínas animais também tiveram aumentos expressivos, como o pernil (15,3%), o lombo suíno (12,9%) e a carne bovina (11,5%).
As aves, presença quase obrigatória nas festas, mantiveram a trajetória de alta. O preço do peru subiu 9,9%, enquanto chester e frango registraram aumento médio de 11,7%. De acordo com a pesquisa, o movimento é explicado pela sazonalidade típica do período, pelo crescimento das exportações e pela redução da oferta destinada ao mercado interno.
No grupo das frutas secas, nozes, castanhas e uvas-passas tiveram aumento médio de 8,67%, o que também pressionou o preço do panetone, que registrou variação média de 7,14%. Chocolates e doces industrializados ficaram 4,15% mais caros, enquanto itens como azeitonas e milho verde enlatado apresentaram reajuste de 3,18%.
O comportamento das bebidas, no entanto, destoou da tendência geral de alta. Os espumantes nacionais tiveram queda média de 9,12%, e os importados recuaram 6,15%. A safra recorde das vinícolas da região Sul do país e o elevado estoque de vinhos importados contribuíram para a redução dos preços, especialmente dos vinhos de mesa.
Outro destaque foi o mercado de azeites. Após sucessivos aumentos ao longo do ano, os preços desaceleraram no fim de 2025, com o azeite de oliva virgem registrando queda de 20,15% no varejo.
Segundo a Unimontes, a valorização do dólar e as condições climáticas adversas foram os principais fatores de pressão sobre os preços ao longo de 2025. O câmbio elevou o custo de produtos importados, como bacalhau e castanhas, enquanto eventos climáticos afetaram a produção agropecuária e aumentaram os custos logísticos.
Para reduzir os impactos da inflação, supermercados têm ampliado a oferta de marcas próprias, sobretudo em itens de confeitaria, padaria, mercearia seca, produtos industrializados e bebidas, que geralmente apresentam preços mais acessíveis.
Com reajustes em praticamente todos os itens tradicionais das festas, o estudo reforça a importância do planejamento e da pesquisa de preços. A comparação entre marcas, a substituição de produtos e o consumo consciente são estratégias que podem ajudar a aliviar os impactos no orçamento das famílias neste fim de ano.