Foto: Divulgação/ HU
O Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), realizou, na última sexta-feira (12/12), a segunda retirada de globo ocular (enucleação) com finalidade de captação de córneas para doação e transplante neste semestre. A retomada do procedimento após um intervalo de 10 anos permitiu que quatro pessoas voltassem a enxergar, a partir das duas intervenções cirúrgicas realizadas na unidade.
As enucleações foram realizadas pela equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO), em parceria com a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) do HUCF. Os trabalhos foram coordenados pelo médico clínico Carlos Augusto Souza Marques, especialista em captação, doação e transplante de órgãos e tecidos. A equipe contou ainda com a atuação do médico e enfermeiro Luciano Oliveira Marques e do enfermeiro Kleber Alves Vieira, ambos também especialistas na área.
Antes da retomada dos procedimentos, profissionais da Cihdott do Hospital Universitário participaram do curso “Capacitação em doação de córnea: da identificação do potencial doador à enucleação”, promovido pela equipe do MG Transplantes em parceria com a Fundação Lucas Machado, da Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte.
Os globos oculares captados no HUCF foram encaminhados ao Banco de Olhos da capital mineira, responsável pela avaliação e realização dos transplantes. As doações beneficiam quatro pacientes que aguardavam na fila por transplante de córnea em Minas Gerais. Atualmente, cerca de quatro mil pessoas aguardam pelo procedimento no estado.
Os procedimentos cirúrgicos ocorreram nos dias 3 de novembro, em uma paciente de 39 anos, e 12 de dezembro, em uma paciente de 38 anos. Em ambos os casos, os pacientes evoluíram para óbito no HUCF, e as famílias autorizaram a doação das córneas, conforme os protocolos recomendados.
Para o coordenador da Cihdott do HUCF, Carlos Augusto Souza Marques, a retomada da captação de córneas representa um avanço importante para a instituição. “O retorno da captação de córneas no Hospital Universitário significa um grande passo para que o hospital possa contribuir com a redução da lista de espera por transplantes. Além disso, abre a possibilidade de angariar recursos para viabilizar novas captações na instituição”, destaca.
Segundo o médico, o desafio agora é ampliar o número de doações, respeitando os critérios técnicos estabelecidos. As córneas podem ser doadas até seis horas após o óbito, por pessoas com idade entre dois e 80 anos incompletos, desde que aprovadas na triagem clínica.
Os pacientes que recebem a doação são, em geral, pessoas com cegueira ou com doenças como ceratocone avançado, úlceras ou distrofias da córnea. Após avaliação oftalmológica, os casos indicados para transplante são cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes e passam a aguardar a disponibilidade de um doador.