Foto: Larissa Durães
A pesquisa de variação de preços realizada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) apontou que o Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-MOC) registrou variação de 0,21% em novembro de 2025. Com o resultado, o índice acumula alta de 5,25% no ano.
De acordo com o levantamento, o Grupo Alimentação, que possui o maior peso na composição do orçamento doméstico (29,47%), apresentou variação positiva de 0,27% no mês, contribuindo com 0,08 ponto percentual para o resultado final do índice. Já o Grupo Habitação, com peso de 21,25%, registrou aumento de 0,60%, sendo o principal responsável pela pressão inflacionária, com contribuição de 0,13 ponto percentual.
Por outro lado, alguns grupos apresentaram retração nos preços. O Grupo Artigos de Residência e Serviços Domésticos, que tem peso de 5,24%, registrou queda de 1,37%, contribuindo negativamente com -0,07 ponto percentual. O Grupo Saúde e Cuidados Pessoais, com peso de 9,74%, apresentou variação negativa de -0,07%, enquanto o Grupo Educação e Despesas Pessoais, que representa 8,70% do orçamento, teve redução de -0,22%, ambos com impacto negativo no índice geral.
Segundo a coordenadora da pesquisa e economista Vânia Vilas Bôas, o resultado do mês reflete um equilíbrio entre pressões inflacionárias e quedas pontuais de preços. “Para chegar a esse índice de 0,21%, nós observamos um certo equilíbrio entre grupos que pressionaram a inflação e setores que apresentaram quedas de preços”, explica. Ela destaca que “as principais reduções ocorreram nos grupos vestuário, artigos de residência, saúde, cuidados pessoais e educação e despesas pessoais, muito em função da Black Friday, que fez com que os preços desses grupos caíssem ao longo de praticamente todo o mês”.
A economista também chama atenção para o comportamento do grupo Transporte, que apresentou aceleração em novembro. “Junto com o grupo alimentação, vimos o grupo transporte com aceleração em decorrência dos reajustes tanto do etanol quanto da gasolina”, afirma. Ainda assim, o IPC-MOC apresentou leve desaceleração em relação ao mês anterior. “Em novembro, o índice registrou uma ligeira queda, passando de 0,22% em outubro para 0,21%”, completa.
No comércio do Centro de Montes Claros, a percepção é de leve alívio para o consumidor. A balconista Ana Paula Rosario, de 32 anos, que trabalha em uma loja de variedades na região central, relata mudança no comportamento dos clientes. “Muita gente comentou que conseguiu economizar um pouco mais no mercado este mês. Teve cliente dizendo que o tomate finalmente baixou”, conta. Segundo ela, a redução nos preços ajudou nas contas do fim de ano. “Quando sobra um pouco do salário, o pessoal fica mais tranquilo para comprar o básico e até um presente simples”, diz.
Cesta básica tem queda de 3,13%
Um dos destaques do mês foi a redução no custo da cesta básica. Em novembro de 2025, os preços dos gêneros que compõem a Ração Essencial Mínima apresentaram variação negativa de -3,13%.
O cálculo da cesta básica segue os critérios do Decreto-Lei nº 399, de 30 de abril de 1938, que regulamenta o salário mínimo no Brasil e define uma cesta composta por 13 produtos alimentícios em quantidades suficientes para garantir o sustento mensal de um trabalhador adulto, considerando os hábitos alimentares regionais.
Em novembro, o trabalhador de Montes Claros, com renda bruta de R$ 1.518,00, comprometeu 36,43% do salário mínimo para adquirir os 13 produtos da cesta básica, que custou R$ 553,06. No mês anterior, o valor era de R$ 570,94, o que representava um comprometimento de 37,61% do salário.
Após a compra da cesta básica, restaram ao trabalhador R$ 964,94 para despesas como moradia, saúde, higiene, transporte, vestuário, serviços pessoais e lazer. O tempo médio necessário de trabalho para adquirir os produtos da cesta foi de 97 horas e 55 minutos, inferior às 102 horas e 57 minutos registradas em outubro.
Para Vânia Vilas Bôas, a queda da cesta básica está diretamente relacionada ao comportamento de alguns alimentos. “Nós tivemos produtos como o tomate, que vinha pressionando a inflação, apresentando queda neste mês, além do arroz, que já vem há quatro meses consecutivos com redução de preços, assim como o café e a banana caturra”, explica. Segundo ela, esse cenário tornou o resultado “favorável ao consumidor”.
Entre os produtos que apresentaram variação negativa em novembro estão o tomate (-18,38%), a banana caturra (-5,66%), o arroz (-3,43%), o café (-1,41%), o açúcar (-1,29%), a margarina (-1,18%) e o feijão (-1,14%). A batata inglesa foi o único item a registrar aumento, com alta de 3,37%. Já a carne bovina, o leite tipo C, a farinha de mandioca, o pão de sal e o óleo de soja mantiveram preços estáveis em relação ao mês anterior.
Para a balconista Ana Paula, a diferença no bolso é pequena, mas perceptível. “Ainda está tudo caro, mas qualquer queda ajuda. Dá pra respirar um pouco melhor quando a cesta básica baixa”, resume.