Foto: Thomás Santos/OTEMPO
Minas Gerais é o estado com o maior número de casos de coqueluche no Brasil em 2025. Dados do Ministério da Saúde apontam que, até o dia 3 de dezembro, foram registrados 528 casos da doença no estado. O número supera São Paulo, que aparece em segundo lugar, com 427 confirmações. Desde 2023, os diagnósticos vêm crescendo em Minas, acendendo o alerta das autoridades de saúde.
Em 2023, o estado contabilizou apenas 14 casos e nenhuma morte. Já em 2024, houve um salto expressivo, com 872 ocorrências e três óbitos. Em 2025, apesar da redução em relação ao ano anterior, os números ainda são considerados preocupantes por especialistas.
Especialistas apontam a queda na cobertura vacinal como um dos principais fatores para o avanço da coqueluche. O epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro destaca que a redução da imunização, intensificada durante a pandemia, favoreceu a circulação da bactéria. Ele chama atenção especial para a vacinação de gestantes, fundamental para a proteção dos bebês nos primeiros meses de vida, período de maior risco.
Outro fator que contribui para a gravidade da doença é a dificuldade no diagnóstico. Os sintomas iniciais são semelhantes aos de outras infecções respiratórias, o que pode atrasar o tratamento. Segundo o infectologista Leandro Curi, mesmo pessoas vacinadas podem adoecer, mas, nesses casos, a tendência é que os sintomas sejam mais leves e com menor risco de complicações.
Extremamente contagiosa, a coqueluche é transmitida principalmente por gotículas respiratórias. Em bebês, a doença pode ser grave e até fatal. Por isso, médicos reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção e controle da enfermidade.
Saiba quais são os sintomas da coqueluche
Os sintomas clássicos da coqueluche, segundo Urbano, começam de forma semelhante a um resfriado comum, evoluindo ao longo de dias ou semanas, com tosse cada vez mais intensa, acompanhada de secreção nas vias aéreas.
“Principalmente em recém-nascidos, a tosse pode se tornar tão intensa que leva à asfixia e pode persistir por vários meses. A doença pode causar fraturas nas costelas e até hemorragias intracranianas. Além disso, pode gerar complicações secundárias causadas por outras bactérias, que levam à pneumonia ou à asma. Se houver produção de toxinas e elas atingirem a circulação sanguínea, outros órgãos podem ser afetados. São diversas as complicações, e, por isso, a prevenção por meio da vacinação é fundamental”, recomendou.
Ele destacou ainda que a vacina “perde o efeito” com o passar dos anos e que, por isso, evitar o contato com crianças recém-nascidas é essencial. Para crianças e gestantes, o imunizante é oferecido pelo SUS. Para adolescentes e adultos fora do público-alvo, a vacina pode ser encontrada na rede particular.
Como é feita a imunização
A vacinação ocorre da seguinte forma: são aplicadas três doses da vacina pentavalente (DTP + Hib + hepatite B) aos 2, 4 e 6 meses de vida. Em seguida, são administrados reforços com a DTP aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Na fase adulta, o imunizante dTpa (tríplice acelular do adulto) é indicado para gestantes a partir da 20ª semana de gravidez.
A reportagem procurou o governo de Minas Gerais para comentar as ações de prevenção da coqueluche no estado, mas não houve posicionamento até a publicação desta matéria.
Situação vacinal no país
A cobertura vacinal em todo o país também esteve abaixo do preconizado pelo Ministério da Saúde, mas apresentou recuperação nos anos seguintes. Em 2023, a cobertura da dTpa, aplicada em gestantes, chegou a 80,27%, subindo para 97,86% no ano seguinte e atingindo 96,41% em 2025. A Prefeitura de Belo Horizonte informou que, no município, a cobertura vacinal em gestantes neste ano está em 107,13%.