Lojistas mineiros mantêm otimismo para o Natal, mas percepções variam entre setores e perfis de comerciantes

Foto: Larissa Durães

Comércio de Montes Claros prevê crescimento de 6% a 7% nas vendas de Natal e ticket médio de até R$ 250

 

A pesquisa Expectativa de Vendas Natal 2025, realizada pelo Núcleo de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG em novembro, revela que os lojistas de Minas Gerais estão confiantes para o período natalino deste ano. Segundo o levantamento, 52% dos empresários acreditam que venderão mais do que em 2024, enquanto 19,2% esperam repetir o desempenho do ano passado. O estudo mostra ainda que 56,3% dos comerciantes ficaram satisfeitos com as vendas de 2024 e reforça a importância da data: 89% consideram o Natal determinante para o resultado anual.

Entre os fatores que sustentam essa expectativa positiva estão o apelo emocional da data, a confiança dos empresários, a projeção de maior movimento nas lojas e os efeitos do pagamento do décimo terceiro salário. As vendas a prazo devem predominar, apontadas por 37,9% dos entrevistados, embora não haja destaque para um valor médio específico de compra.

Para ampliar os resultados, grande parte dos empresários deve adotar campanhas promocionais e publicidade (29,5%), além de reforçar o atendimento ao cliente (29%). Apenas 7,8% afirmam que não realizarão ações extras neste período. O levantamento também indica que 50,4% dos comerciantes já fizeram seus pedidos para o fim de ano, embora ainda aguardem a chegada das mercadorias, enquanto 23,5% já estão totalmente abastecidos.

Representando o Sindicomércio de Montes Claros, o assessor de comunicação Fernando Queiroz avalia que a perspectiva favorável para 2025 acompanha um ciclo econômico mais aquecido. Segundo ele, “o Natal sempre é a injeção de ânimo e de recurso para o setor, que é o mais importante, porque supre a indústria de mercadorias e também escoa a produção”. O assessor destaca que esse movimento fortalece a indústria, amplia o comércio e eleva a demanda de consumo, impulsionando a circulação de recursos e o crescimento populacional. Com base em levantamentos internos, o Sindicomércio projeta um crescimento “em torno de 7% em relação ao ano passado”.

Queiroz observa ainda que o comportamento de compra tem mudado tanto para consumidores quanto para lojistas. Ele afirma que “o comerciante tem cedido à evolução do mercado”, adotando vendas presenciais combinadas ao e-commerce. As plataformas virtuais, segundo ele, têm funcionado como vitrine, ferramenta de pesquisa e canal de venda, potencializadas por aplicativos que comparam preços. “Os comerciantes cadastrados nessas plataformas têm tido bons resultados”, diz.

Para o período natalino, o Sindicomércio reforça orientações tradicionais aos lojistas, sobretudo a partir do segundo semestre. “Aconselhamos que façam a estruturação do estoque com antecedência para comprar mais barato”, explica Queiroz. Ele destaca a importância de promoções verdadeiras, atendimento qualificado, agilidade nas vendas virtuais, rapidez na entrega e cuidado com as embalagens para evitar danos aos produtos. Segundo ele, a divulgação digital tem grande alcance e “as promoções no ambiente virtual são quase gratuitas”.

No ambiente digital, 43,9% dos empreendedores que dependem das vendas de fim de ano também atuam online. Para 50,6% desses comerciantes, o faturamento no e-commerce deve crescer entre 10% e 30% este ano. A expectativa é de que roupas, calçados e acessórios liderem as compras. A pesquisa ouviu 417 empresas distribuídas pelas dez regiões de planejamento do estado, com margem de erro de cinco pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O cenário também é visto como favorável pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O presidente da entidade, Ernandes Ferreira, afirma que o movimento nas lojas já indica uma temporada positiva. “A avaliação é muito boa. A gente já está vendo um movimento maior na cidade e a expectativa do consumidor de dar presentes mesmo no Natal”, diz. Ele destaca que a data impulsiona diversos segmentos. “No Natal, todos são beneficiados. É uma data que realmente tem repercussão boa.”

Ferreira aponta ainda que a antecipação do 13º salário dos servidores municipais e estaduais tem contribuído para aquecer o consumo. Segundo ele, pesquisas internas realizadas com consumidores e lojistas indicam crescimento de 6% nas vendas em relação ao ano passado. Setores como vestuário, calçados, beleza, brinquedos e eletroeletrônicos devem concentrar grande parte das compras, mas o impacto atinge toda a cadeia comercial. “O setor de bares e o supermercadista também aquece bem. A expectativa é muito boa.” O ticket médio previsto para as compras de Natal em Montes Claros deve variar entre R$ 200 e R$ 250. Em relação aos meios de pagamento, ele afirma que “o Pix hoje está com um volume maior. É o mais forte”.

Apesar do cenário geral positivo, 17,7% dos lojistas esperam desempenho inferior ao de 2024, influenciados pela desaceleração do comércio, pelo endividamento das famílias, pelo cenário econômico instável e pela cautela do consumidor.

Entre os que relatam movimento abaixo do esperado está a empresária Janaína Portela, proprietária do ateliê La Joanina. “Eu sou otimista, mas estou vendo que o movimento até agora não está muito favorável. Estamos com a expectativa de que melhore mais próximo do Natal”, afirma. Para ela, a queda no fluxo de clientes está diretamente ligada à insegurança financeira das famílias. “Eu acredito que as pessoas estão com medo da economia”, observa.

A empresária Janaína Portela, proprietária do ateliê La Joanina, torce por um movimento maior nos próximos dias, quando muitos consumidores deixam as compras para a última hora. Foto: arquivo pessoal

Janaína explica que, ao contrário de anos anteriores, quando no início de dezembro já havia forte procura por presentes e amigo-oculto, este ano o movimento está “mais lento”. No ateliê, que trabalha com peças exclusivas e encomendas personalizadas, a procura também diminuiu. “As encomendas estão mais lentas, mas estão funcionando. As peças de pronta entrega estão mais paradas”, relata.

Para manter a visibilidade do negócio, ela investe em divulgação digital pelo Instagram e pelo WhatsApp. Apesar do ritmo mais moderado, garante estar preparada para atender a demanda dos próximos dias. “Já recebi as encomendas de fim de ano e ainda tenho algumas vagas abertas para poucas encomendas. Estou preparada, já estou entregando.” No entanto, a empresária não projeta grande expansão nas vendas. “A expectativa é manter mais ou menos o mesmo nível do ano passado. Aumentar muito acho que não vai acontecer, não.” Mesmo assim, ela ainda aposta em um fluxo maior às vésperas do Natal, quando muitos consumidores deixam as compras para a última hora.

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