Montes Claros cria 15 vagas formais em outubro, mas desempenho é o segundo pior para o mês em uma década

Foto: Larissa Durães

Crescimento abaixo da média: transporte, teleatendimento e construção freiam geração de empregos em Montes Claros, aponta Observatório do Trabalho da Unimontes

 

O mercado de trabalho formal de Montes Claros registrou a criação de 15 vagas com carteira assinada em outubro, segundo o Boletim Informativo do Mercado de Trabalho Formal da Unimontes. Embora o saldo seja positivo, o desempenho é o segundo menor para o mês nos últimos dez anos. No total, foram 4.554 admissões e 4.539 desligamentos.

O crescimento do estoque de trabalhadores formais em relação a 2024 foi de 2,12%, resultado inferior ao registrado no Brasil (3,82%), em Minas Gerais (3,25%) e na região Norte de Minas (2,97%).

As pequenas empresas de serviços e da indústria, além de grandes empresas do comércio, contribuíram para o resultado positivo do mês. Em sentido contrário, grandes empresas do setor de serviços lideraram os desligamentos, e a construção civil apresentou queda em todos os portes.

Entre os segmentos, o Teleatendimento registrou saldo negativo pela oitava vez no ano, com o fechamento de 53 postos. Serviços de Engenharia liderou as admissões (171 vagas), seguido pelos supermercados (161). Já a Construção de Edifícios respondeu por 218 desligamentos.

O salário médio dos contratados foi de R$ 1.808,25, inferior ao dos demitidos (R$ 1.880,04), o que provocou uma redução de cerca de R$ 68 mil na massa salarial do município. As únicas faixas com saldo positivo foram as de até um salário mínimo; já a faixa de 1,51 a 2 salários mínimos perdeu 77 vagas.

O boletim também aponta diferenças por gênero: os homens tiveram saldo negativo de 163 postos, enquanto as mulheres apresentaram saldo positivo de 178. A contratação de jovens de até 24 anos representou 100% do saldo positivo, enquanto os trabalhadores mais afetados pelas demissões foram os de 30 a 39 anos, seguidos pelos de 60 a 69.

Quanto à escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo responderam pela maior parte das contratações, enquanto profissionais com ensino superior completo ou incompleto perderam 31 vagas.

Secretaria de Aceleração Econômica avalia cenário

O secretário de Aceleração Econômica, Glenn Andrade, atribuiu o desempenho modesto ao alto nível de ocupação no município. Segundo ele, “Montes Claros encontra-se praticamente no pleno emprego. As empresas têm encontrado muitas dificuldades em contratar mão de obra e, por isso, é de se esperar uma movimentação até mesmo tímida”.

Andrade afirmou que a prefeitura tem ampliado ações para estimular a geração de vagas. “Estamos trabalhando, juntamente com a Secretaria de Ação Social, políticas de qualificação e divulgação de mão de obra”, disse. Ele destacou iniciativas voltadas a grupos com dificuldade de inserção. “Inclusive para o público LGBTQIAPN+, que tem solicitado e reclamado que está ficando à margem das contratações”.

O secretário informou que está sendo estruturado um cronograma de qualificação profissional em parceria com instituições privadas. Ele também projeta melhora nos próximos meses. “Sabemos que as contratações tendem a aumentar a partir de novembro e dezembro. O nível de contratações vai superar os índices mais tímidos apresentados.”

Sobre a queda da massa salarial, Andrade descarta precarização. Para ele, a disputa por trabalhadores qualificados tende a elevar os salários. “As empresas estão pagando mais, oferecendo ajuda de custo, plano de saúde e outros adicionais para garantir essa mão de obra.” Ele avaliou ainda que parte dos trabalhadores com ensino superior pode estar migrando para outras cidades ou setores. “Quem tem ensino superior está mais bem colocado no mercado. As vagas disponíveis hoje são as que remuneram menos.”

Observatório do Trabalho aponta causas do baixo desempenho

O coordenador do Observatório do Trabalho da Unimontes, Roney Sindeaux, analisou os motivos para o crescimento abaixo da média regional, estadual e nacional. Segundo ele, o principal fator foi a retração no setor de transportes. “Tivemos um desligamento muito forte na área de transporte, principalmente de carga. Isso puxou bastante o emprego para baixo.”

Ele também citou o enfraquecimento do teleatendimento. “O teleatendimento é muito forte na cidade, mas este ano passa por uma reconfiguração e vem reduzindo seus postos.” A construção civil, por sua vez, iniciou desligamentos típicos do fim do ano, com conclusão de obras públicas e privadas.

Sindeaux destacou que apenas trabalhadores de até 24 anos tiveram saldo positivo. “A contratação de jovens entre 18 e 24 anos é muito forte, puxada pelo comércio e, em outros meses, pelo teleatendimento. São jovens no primeiro emprego ou que estudam e trabalham.” Para ele, o município precisa oferecer vagas mais qualificadas: “Precisamos de empregos que exijam maior qualificação, porque isso garante melhores salários e permanência desses jovens”.

Sobre a perda de vagas entre trabalhadores com ensino superior, ele explicou que o perfil mais demandado é o jovem com ensino médio. “Também há impacto do fim do semestre nas instituições de ensino, que reduzem temporariamente parte da equipe”, explicou.

Em relação à massa salarial, Sindeaux alerta para efeitos no consumo local. “Se essa dinâmica persiste, a massa salarial diminui e isso reduz compras e gastos, afetando principalmente o comércio.” Ele considera, contudo, que a retomada da indústria pode equilibrar esse cenário. “A indústria oferece melhores salários e maior estabilidade, e pode compensar a queda da massa salarial.”

Sindeaux vê possibilidade de aumento salarial diante da falta de mão de obra. “Quando há mais demanda e oferta limitada, a tendência é de crescimento da remuneração.” Ele avalia que setores com maior exigência técnica, incluindo a construção civil, podem puxar essa valorização.

Sobre os próximos meses, projeta melhora sazonal. “Novembro e dezembro costumam ser melhores por causa das contratações temporárias no comércio. É provável que novembro apresente saldo superior a outubro.” Ele pondera, porém, que dezembro costuma encerrar com queda, devido ao desligamento de temporários. “Historicamente, dezembro tem saldo mais baixo ou até negativo”, concluiu.

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