Dona Marina Lorenzo. Divulgação Fulô Comunicação
A trajetória de Marina Helena Lorenzo Fernández Silva, fundadora do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernândez e figura central para o desenvolvimento cultural do Norte de Minas, chegará às telas do cinema. Um documentário em fase avançada de produção vai reconstruir a história e o impacto da educadora e artista que revolucionou a formação musical na região.
Produzido pela Fulô Comunicação e Cultura, em parceria com o cineasta Cavi Borges, o filme tem direção de Fabíola Versiani e direção de fotografia de Neto Macedo. As gravações ocorrem em Montes Claros e no Rio de Janeiro, cidade natal de Marina. O lançamento está previsto para 2026, ano em que ela completaria 100 anos.
A obra reúne amplo acervo histórico, com fotos, registros audiovisuais e depoimentos de familiares, ex-alunos e profissionais da cultura. O documentário apresenta diferentes dimensões da personagem — filha, mãe, artista e educadora — destacando seu protagonismo feminino em um período marcado por fortes barreiras sociais para mulheres. Marina mudou-se do Rio para Montes Claros na década de 1940 e se tornou referência no fomento à arte e na formação de músicos, deixando marca profunda em gerações de artistas do Norte de Minas.
A família participa ativamente da produção. Uma das filhas, Antonieta Silvério, ressalta a importância do registro: “Ela foi quem foi, deixou esse legado, transformou vidas. Ver a história dela sendo contada é uma questão de justiça e de memória”. Antonieta destaca ainda que Marina teve papel fundamental na profissionalização de mulheres da região, especialmente professoras do conservatório.
O filme “Marina” é realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo (Edital 010/2024), da Prefeitura de Montes Claros.
Em entrevista ao Pequi News, a diretora Fabíola Versiani falou sobre o processo criativo e a construção narrativa da obra. Para ela, preservar a trajetória humana e visionária de Marina é o eixo central do documentário. “Dona Marina sempre foi uma grande inspiração. A narrativa parte da mulher Marina, uma visionária que agiu coletivamente e mudou a história das artes no Norte de Minas”, afirma.
Segundo a diretora, o acesso ao acervo da família trouxe emoção ao processo. “Dona Marina era extremamente organizada. Guardava papéis, agendas, anotações de discursos. Cada vez que lemos algo escrito por ela, principalmente sobre Montes Claros, nos emocionamos”, relata.
Fabíola destaca que o filme pretende dialogar com o público jovem, que muitas vezes desconhece a importância de Marina para o cenário artístico da região. “Não é apenas uma homenagem, mas um registro para que as novas gerações saibam quem abriu caminhos antes delas.”
As gravações começaram no Rio de Janeiro, onde Marina nasceu e iniciou sua formação artística. Depois seguiram para Montes Claros. O orçamento reduzido é um dos principais desafios enfrentados pela equipe. “A logística é difícil, mas contamos com uma parceria fundamental com Cavi Borges, que permitiu as filmagens no Rio”, explica.
O protagonismo feminino da personagem também orienta escolhas estéticas e narrativas. “Buscamos referências que ressaltem o feminino e a força sensível da personagem. A fotografia do Neto Macedo é essencial nesse processo”, diz Fabíola.
A diretora acredita que o filme terá forte impacto emocional quando for lançado. “Em cada gravação vemos o quanto as pessoas se emocionam ao lembrar de Dona Marina. Queremos honrar essa mulher e seu legado. O filme tem o poder de preservar essa história para as próximas gerações.”
Ficha técnica do filme
Direção: Fabíola Versiani
Direção de fotografia: Neto Macedo
Assistente de direção: Thetê Rocha
Assistente de produção: Rita Maciel
Captação de som direto: Hernane Alves
Produção/Realização: Fulô Comunicação e Cultura
Coprodução: Cavi Borges (cineasta e produtor – Rio de Janeiro)
Fotos

