Foto: Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O aumento de adoecimentos em saúde mental, em meio à crise global de casos alertada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), representa um desafio crescente para o SUS. Em Minas Gerais, qualquer pessoa que enfrente depressão, ansiedade, esquizofrenia ou outros transtornos mentais, incluindo com dependência em álcool e drogas, pode (e deve) ser atendida pela Rede de Atenção Psicossocial.
Nesta entrevista, a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), Taynara Fátima de Paula, explica as possibilidades de tratamento, os desafios do atendimento e a importância do SUS como um “salva-vidas” para quem precisa.
‘Sofrimento mental tem aumentado, por isso temos que fortalecer o SUS’, diz gestora
P: Qual a estrutura disponível hoje no SUS em Minas Gerais para atendimento de questões de saúde mental?
R: O estado conta com a Rede de Atenção Psicossocial. Ela é composta por três níveis de cuidado na atenção à saúde. Na atenção primária, estão as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Na secundária, a assistência é especializada por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que são os carros-chefe da saúde mental. E, na atenção terciária/hospitalar, há leitos de saúde mental em hospitais gerais.
O atendimento vai depender da demanda do paciente, abrangendo casos leves a graves. Hoje, em Minas Gerais, temos Caps Tipo 1 para municípios de até 15 mil habitantes; Caps Tipo 2 para municípios acima de 70 mil habitantes; e Caps Tipo 3 para municípios acima de 150 mil habitantes. A diferença entre eles é o porte, e o Tipo 3 funciona 24 horas. Além disso, temos o Caps AD (Álcool e Drogas), especializado no atendimento a usuários em uso prejudicial de substâncias, e o Capsi, exclusivo para o público infantojuvenil.
P: Essa rede de cuidados é capaz de oferecer tratamento contínuo ao paciente? Que iniciativas existem para evitar abandonos?
R: Sim. O ideal do nosso trabalho hoje é que ele vá além do atendimento psicológico. O CAPS sozinho não consegue atender toda a demanda dos pacientes, então realizamos uma articulação com diversas redes — assistência social, educação, atores do terceiro setor, quando necessário… — para oferecer um cuidado integral à pessoa.
Hoje, o CAPS realiza busca ativa, indo até a casa do usuário. O estado disponibilizou recursos para que as unidades adquiram veículos, permitindo levar e buscar pacientes, especialmente em áreas rurais, quando eles não têm condições de frequentar o serviço.
No caso de álcool e outras drogas, o desafio de adesão ao tratamento é ainda maior, devido ao vício. Por isso, a estratégia é oferecer um atendimento individualizado: alguns usuários aceitam a redução de danos, enquanto outros preferem a abstinência. Assim, acompanhamos cada pessoa de acordo com suas necessidades. Há usuários que podem frequentar o CAPS pelo resto da vida, em diferentes intensidades.
P: Qual a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) oferecer essa rede de cuidados para pacientes de saúde mental?
R: O Caps faz parte do SUS e é porta aberta. Qualquer pessoa — brasileira ou não, com recursos financeiros ou sem — pode ser acolhida, receber tratamento gratuito e, se necessário, ser encaminhada para os serviços adequados ao seu perfil. O sofrimento mental tem aumentado, e, por isso, é fundamental fortalecer o SUS e trabalhar para oferecer uma saúde mental de qualidade e gratuita. Além do atendimento, a rede também fornece os medicamentos, tornando-se, para o usuário, um verdadeiro salva-vidas.
P: O estado trabalha atualmente com algum plano de ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)?
R: A rede está em constante expansão. Comparada a outras redes de saúde, como Urgência e Emergência ou Atenção Primária, ela ainda é relativamente recente — foi institucionalizada apenas em 2011. Por isso, não temos todos os serviços necessários e ainda existem vazios assistenciais. Continuamos criando novos equipamentos de saúde mental e expandindo os já existentes nos municípios. Como as psicoses e os desafios da saúde mental evoluem junto com as tecnologias, estamos sempre refletindo e planejando novos serviços e formatos de funcionamento para essa rede.
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