Artesã Néia de Taiobeiras. Foto: arquivo pessoal
Aos 50 anos, artista do Norte de Minas transforma memórias em cerâmica, ganha espaço no Big Brother Brasil 2025 e vê a demanda por suas peças disparar

 

A ceramista Lucinéia de Souza Barbosa, a Néia de Taiobeiras, tornou-se destaque nacional após ter suas peças exibidas na decoração do Big Brother Brasil 2025. Nascida no Vale do Jequitinhonha, ela descobriu o talento ainda na infância, quando modelou um Rei Mago para o presépio da família. Após anos trabalhando em comércio, sua trajetória mudou em 2010, ao participar de um grupo apoiado pelo Sebrae Minas, que impulsionou sua identidade artística e abriu portas em grandes feiras, como a Feira Nacional de Artesanato e a Fenearte.

Com o trabalho consolidado e produção própria, Néia ganhou projeção nacional após ser indicada à equipe de cenografia do reality, criando esculturas inspiradas em personagens de novelas ambientadas no Nordeste. A aparição no programa ampliou as encomendas e levou sua arte para outros países. Sua história mostra como o artesanato mineiro, moldado pela sensibilidade e pela memória, pode alcançar fronteiras inesperadas.

Conheça mais sobre o trabalho da ceramista Néia de Taiobeiras em: @neia_taiobeiras. Foto: arquivo pessoal

Entrevista do Pequi News a Néia de Taiobeiras

Quem é a Néia de Taiobeiras e como começou sua relação com o artesanato?

Eu sou Lucinéia,  mas todos me conhecem como Néia Tayoveira. Digo que nasci artesã. Desde pequena gostava de criar, de fazer coisas com as mãos. Meu primeiro contato mais direto foi com o gesso. Depois fui trabalhar em supermercado, mas a arte nunca me deixou. Aos 12 anos, comecei a trabalhar com argila e fiz meu primeiro presépio. A partir daí, nunca mais parei.

E quando a senhora passou a atuar profissionalmente?

Profissionalmente, foi em 2010. O Sebrae me levou para uma feira nacional e, pela primeira vez, vi meu trabalho exposto desse jeito. Fiquei surpresa com a aceitação e, a partir dali, tudo se fortaleceu.

Hoje a senhora vive exclusivamente da cerâmica?

Sim. Muita gente acha que artesanato não dá renda, mas dá, sim. O complemento da renda da minha casa vem da cerâmica. A demanda é tão grande que já não consigo manter estoque, só encomendas, e já tenho pedidos até para o ano que vem.

Como foi ver seu trabalho no BBB25?

Uma surpresa enorme. Sempre sonhei em ganhar visibilidade. Recebi o convite por meio de um amigo de São Paulo, que tem uma galeria. Quando disseram que a Globo queria minhas peças, achei que fosse engano. Quando vi acontecer, foi como ganhar na loteria.

Quais foram os desafios para criar esculturas inspiradas no reality?

Meu medo era não conseguir captar as características das pessoas. Não sei copiar fotos exatamente. Preciso ver algo marcante. Foi um desafio, mas ficou lindo, e eles elogiaram muito.

A cerâmica em argila é muito associada ao Nordeste. Como a senhora vê Minas ocupando esse espaço?

É uma honra representar Minas. A cultura nordestina é forte, mas a nossa também é. Não vejo como concorrência. São culturas parecidas, do povo, da tradição, do fazer com amor.

A senhora se inspira na arte nordestina?

Não. Minha inspiração vem da minha vida, da minha família, do quintal, da mulher fazendo biscoito, do frango, das histórias antigas. Um dos meus quadros nasceu de uma foto do meu pai já falecido. Transformei aquela memória em arte.

Qual é a reação das pessoas ao verem seus quadros?

Muita emoção. Tem gente que chora. A arte desperta lembranças. Não existe arte feia, existe sentimento. Cada um vê de uma forma. Desde criança eu já criava com qualquer coisa, até com o que encontrava no lixo, como tampinhas e potes de manteiga.

A senhora pretende ensinar sua técnica?

Pretendo e muito. A argila cura. Quero montar um espaço para ensinar pessoas que enfrentam depressão, ansiedade, ou que querem aprender algo novo. Quero deixar esse legado: “aprendi com Néia”, isso sim é satisfação.

Quanto aumentou a procura após o BBB?

Aumentou bastante. Entre lojistas, cerca de 30%. Entre compradores individuais, uns 50%. Hoje recebo muitas encomendas de famílias que querem eternizar memórias. Cresceu tanto que não tenho tempo nem para fazer exposição.

A entrevista revela a força de uma trajetória profundamente enraizada na memória afetiva e na criatividade. Néia Taiobeiras transforma argila em histórias , e, agora, leva o Norte de Minas para todo o Brasil.

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