A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) lança, nesta sexta-feira (5/12), às 19h, no Centro Cultural Hermes de Paula, o livro “Violência de Gênero no Norte de Minas: perspectiva histórica e interseccional”. A publicação, editada pela Editora Cancioneiro, foi organizada pelas professoras e pesquisadoras Claudia Maia, Renata Maia e Eloisa Rosalen, do Grupo de Pesquisa Gênero e Violência (GPEG) e do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH).
O evento integra o projeto “O que permanece”, promovido pelo coletivo de artistas UMA. A iniciativa faz parte da campanha UNA-se 2025, da Organização das Nações Unidas (ONU), que marca os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres — período que vai de 25 de novembro a 10 de dezembro, com foco, neste ano, na violência digital contra mulheres e meninas. O hall do Centro Cultural recebe ainda uma exposição artística dedicada ao tema.
Pesquisa e produção acadêmica
A obra reúne resultados de pesquisas desenvolvidas no Observatório Norte-Mineiro de Violência de Gênero, financiado pela Fapemig e por emenda parlamentar da deputada Leninha. O livro conta com capítulos escritos por docentes, mestrandos, doutorandos e estudantes de graduação da Unimontes.
O estudo sobre violência contra mulheres conduzido pelo GPEG é contínuo desde 2006 e, nos últimos anos, ganhou força com a articulação da Rede de Enfrentamento à Violência contra Mulheres (Revicom), parceira do observatório.
Segundo as organizadoras, o livro busca discutir as múltiplas formas de violência vividas por mulheres e pessoas trans na região, seus impactos cotidianos e as estratégias de enfrentamento e resistência. Os capítulos adotam uma abordagem histórica e interseccional, analisando a violência a partir da articulação entre gênero, raça, classe, sexualidade e territorialidade.
A pesquisa se fundamenta em narrativas de mulheres vitimadas, documentos institucionais, práticas de agentes públicos, discurso jornalístico, dados estatísticos e políticas públicas. A obra também destaca o papel da Revicom, apontada pelas pesquisadoras como uma “experiência coletiva extraordinária” que transformou o enfrentamento à violência contra mulheres em Montes Claros e inspirou outras iniciativas.
As organizadoras
Claudia Maia é pós-doutora pela Universidade Nova de Lisboa, com período na Université de Nice Sophia Antipolis. Doutora em História pela Universidade de Brasília, com estágio na École des Hautes Études en Sciences Sociales, possui ainda mestrado em Extensão Rural pela UFV e graduação em História pela Unimontes.
Eloisa Rosalen é doutora em História pela Universidade Federal de Santa Catarina, com período sanduíche na Università Ca’ Foscari Venezia. Realizou pós-doutorado na Unimontes como bolsista do CNPq.
Renata Maia é doutora e mestre em História pela UFSC, com graduação pela Unimontes. Suas pesquisas se concentram em gênero, cinema, sexualidades e feminismos.
O lançamento é aberto ao público.