Foto: © Joédson Alves/Agência Brasil
No Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, celebrado em 25 de novembro, uma pesquisa nacional revela um cenário alarmante: cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica no último ano. O estudo, que atualiza o Mapa Nacional da Violência de Gênero, mostra ainda que 71% das agressões ocorreram na presença de outras pessoas e, em 70% desses casos, havia crianças no ambiente, totalizando 1,94 milhão de episódios testemunhados por menores.
Para Marcos Ruben de Oliveira, coordenador do DataSenado, os dados revelam o alcance ampliado do problema: “O fato de 71% das mulheres serem agredidas na frente de outras pessoas, e, dentre esses casos, 7 em cada 10 serem presenciados por crianças, mostra que o ciclo de violência afeta muitas outras pessoas além da mulher agredida”.
O levantamento ouviu 21.641 mulheres de todos os estados e mostrou que, para 58% das vítimas, as agressões ocorrem há mais de um ano, evidenciando a dificuldade de romper vínculos marcados por dependência econômica e ausência de apoio. Para Maria Teresa Mauro, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência, “a violência de gênero não é um problema isolado, mas estrutural, que afeta famílias e comunidades e exige resposta coletiva e permanente”.
Acolhimento restrito e baixa formalização de denúncias
Mesmo após sofrer agressões, grande parte das mulheres prefere buscar ajuda em família (58%), igrejas (53%) e amigos (52%). Apenas 28% registraram boletim de ocorrência e somente 11% acionaram o Ligue 180, principal canal federal de atendimento.
Segundo Beatriz Accioly, do Instituto Natura, isso reforça que “muitos casos ainda são tratados na esfera privada, o que exige maior orientação sobre os serviços formais de proteção”.
Desconhecimento sobre a Lei Maria da Penha preocupa
A pesquisa mostra que 67% das brasileiras conhecem pouco a Lei Maria da Penha e 11% desconhecem totalmente o conteúdo da legislação. O desconhecimento é maior entre mulheres de menor renda, baixa escolaridade e mais velhas.
Apesar disso, 75% acreditam que a lei protege total ou parcialmente as vítimas.
Instituições mais conhecidas
As Delegacias da Mulher são o serviço mais reconhecido pelas entrevistadas, citadas por 93% delas. Em seguida aparecem:
Defensorias Públicas – 87%
CRAS/CREAS – 81%
Ligue 180 – 76%
Casa Abrigo – 56%
Casa da Mulher Brasileira – 38%
A pesquisa é conduzida pelo OMV do Senado, Instituto Natura e Gênero e Número, com apoio técnico do DataSenado e Nexus.
Situação em Montes Claros e no Norte de Minas
Em Montes Claros, a advogada Amanda Silveira, especialista em defesa dos direitos das mulheres, afirma que o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, celebrado em 25 de novembro, reforça a necessidade urgente de atenção.
Segundo ela, os casos têm crescido no Norte de Minas, exigindo investimento e fortalecimento de políticas públicas. “Os números de violência contra mulheres vêm crescendo na região. É necessário reforçar o sinal de alerta e estruturar políticas capazes de responder a essa crise persistente e contínua”.
Em montes Claros de 2024/2025, já se somam quatro feminicídios, sendo um consumado e três tentativas.
Dados de Minas Gerais
Entre janeiro e abril de 2025, foram registrados 52.782 casos de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (VDFM) no estado, segundo dados do REDS (SEJUSP/MG).
52 feminicídios consumados
64 feminicídios tentados
Amanda reforça: “Quero ressaltar a importância da denúncia”.
Canais de atendimento:
Ligue 180, Delegacia da Mulher, Ministério Público.