A universalização do serviço ocorrerá por meio de empresa pública ou privada - Foto: MCom
Em uma tentativa decisiva de estancar a sangria financeira que ameaça suas operações, a direção dos Correios aprovou nesta semana um amplo plano de reestruturação. A estratégia para salvar a estatal depende, em caráter de urgência, da liberação de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que a empresa espera obter junto a instituições financeiras até o final deste mês de novembro.
O montante é considerado “indispensável” para garantir a liquidez da companhia nos próximos dois anos e permitir a transição para um modelo mais sustentável. Sem esse aporte e as medidas de ajuste, projeções internas indicam que o rombo nas contas poderia ultrapassar a casa dos R$ 23 bilhões em 2026.
Cortes e Reestruturação
O pacote de medidas aprovado vai além da busca por crédito e atingirá diretamente a estrutura da empresa. Entre as ações mais impactantes estão:
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Fechamento de Unidades: O plano prevê o encerramento das atividades de até 1.000 agências consideradas deficitárias em todo o país.
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Enxugamento da Folha: A estatal lançará um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), com a meta de desligar cerca de 10 mil colaboradores. Atualmente, os gastos com pessoal consomem mais de 70% das receitas da empresa.
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Venda de Ativos: Imóveis pertencentes aos Correios serão colocados à venda, com uma expectativa de arrecadação de R$ 1,5 bilhão.
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Revisão de Benefícios: Haverá uma remodelagem nos custos com o plano de saúde dos funcionários para reduzir despesas operacionais.
Foco no E-commerce e Futuro
Além dos cortes, a administração da estatal busca modernizar a operação para enfrentar a concorrência privada. O plano inclui a expansão da atuação no setor de comércio eletrônico (e-commerce) e não descarta futuras fusões ou aquisições para ganhar competitividade de mercado.
A crise financeira dos Correios se agravou drasticamente em 2025. Apenas no primeiro semestre, o prejuízo acumulado foi de R$ 4,4 bilhões, com previsão de fechar o ano com um déficit próximo de R$ 10 bilhões.
Com a implementação rigorosa deste plano, a expectativa da diretoria é reduzir o desequilíbrio fiscal ao longo de 2026 e fazer com que a empresa volte a registrar lucro a partir de 2027. O empréstimo bilionário, que deve contar com garantia do Tesouro Nacional, está sendo negociado com um consórcio de bancos e é a peça-chave para que a reestruturação saia do papel.