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À primeira vista, Lovely Complex parece só mais um anime shoujo de comédia romântica sobre um casal desajeitado. Risa e Otani brigam, se provocam, trocam piadas o tempo todo — e é fácil rir com eles. Mas, em algum momento, entre uma piada e outra, o riso começa a doer um pouco. Foi aí que percebi que esse anime, apesar de tão engraçado, também me fez chorar.

É que Lovely Complex fala sobre algo muito mais profundo do que a diferença de altura entre um casal. Ele fala sobre insegurança — sobre o medo de não ser suficiente, de ser o “errado”. Otani, com sua baixa estatura, vive tentando provar que é digno de ser levado a sério. A gente se vê nisso — nessa tentativa constante de provar a nós mesmos e aos outros que somos capazes. Mas, ao fazer isso, ele acaba machucando Risa sem perceber.

 

Foto: Divulgação

Otani é baixo, mas talentoso no basquete e muito sincero. Acredita tanto que não pode ser o par ideal de Risa que começa a agir como se o amor dela fosse um erro — como se ele nunca pudesse corresponder. Ele luta para aceitá-la porque se preocupa com a percepção social — com o que as pessoas vão pensar de um casal em que a garota é mais alta. No fundo, o anime mostra que a verdadeira barreira entre eles não é a diferença de altura, mas a pressão social que os cerca.

Já Risa não é a típica protagonista de um shoujo. É alta, ama videogames, é impulsiva, barulhenta e incrivelmente engraçada. Ela desafia o que normalmente é visto como “feminino”. E eu me vi ali, na Risa. Na menina que ri alto demais, que não se encaixa, que sente que todas as outras são mais “normais”, mais delicadas, mais o que o mundo espera. A menina que aprende a disfarçar a dor com humor, que tenta não se importar, mas sente. Quando ela é rejeitada, eu chorei como se fosse comigo — porque, de certa forma, era.

Esse foi um dos primeiros animes shoujo que assisti, lá em 2011. Desde então, já revi Lovely Complex umas dez vezes, e ele continua me tocando da mesma forma. É aquele tipo de anime que a gente coloca pra ver quando quer se sentir em casa, sabe? Um conforto. Um abraço disfarçado de anime.

Foto: Divulgação

O que eu sentia quando assisti Lovely Complex ainda como uma garota cheia de inseguranças, eu ainda sinto — de um jeito diferente, talvez mais maduro, mas ainda vivo. Porque, em alguns momentos, a mulher que eu sou hoje ainda se reconhece naquela menina que só queria ser aceita do jeito que era. Talvez hoje eu encare isso com mais leveza, meio que travando o foda-se pra muita coisa, mas ainda com o mesmo coração de antes.

No fim, Lovely Complex me lembrou que o amor não é sobre ser perfeito, nem sobre se encaixar em um padrão. É sobre se permitir ser visto, mesmo quando a gente acha que não tem nada de bonito pra mostrar. Porque, às vezes, o que a gente mais odeia em si é justamente o que faz alguém se apaixonar.

 

Foto: Divulgação

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