Flavio Oliveira presidente da Sociedade Rural - Doto: Divulgação
A Sociedade Rural de Montes Claros, em conjunto com lideranças do setor agropecuário, está articulando um movimento de mobilização em defesa da cadeia produtiva do leite. A iniciativa nasce diante da grave crise enfrentada pelos produtores brasileiros, que sofrem com a queda dos preços, o aumento dos custos de produção e a concorrência desigual com o leite importado de países do Mercosul.
Segundo dados do setor, Minas Gerais responde por 28% de todo o leite produzido no país, com uma média de 35 milhões de litros por dia, sendo 850 mil litros produzidos diariamente no Norte de Minas. O Estado é o coração da pecuária leiteira nacional, mas tem sido fortemente impactado pela instabilidade do mercado e pela falta de políticas públicas estruturantes e contínuas.
Mais que uma atividade econômica, a produção de leite tem função social e alimentar essencial.
“O leite é um produto social. Ele está na mesa das famílias todos os dias e vem de propriedades que, em sua maioria, são pequenas e médias — responsáveis por dois terços dos empregos no campo. Valorizar o produtor é garantir nutrição, dignidade e desenvolvimento para milhares de famílias brasileiras”, destaca Otaviano Pires Júnior, diretor de Pecuária Leiteira da Sociedade Rural de Montes Claros.

A crise que ameaça o campo
Produzir leite no Brasil tem se tornado cada vez mais difícil. Um dos pontos mais críticos é a importação de leite e derivados da Argentina e do Uruguai, comercializados a preços inferiores aos praticados internamente. Essa diferença compromete a competitividade do produtor nacional e ameaça o fechamento de indústrias e laticínios regionais.
“A entrada desenfreada de leite em pó importado é uma ameaça concreta ao produtor brasileiro. Precisamos de medidas urgentes do Governo Federal, como o aumento das tarifas de importação e o fortalecimento da produção interna. É preciso agir agora para não perdermos uma das cadeias mais importantes do agronegócio nacional”, reforça Flávio Gonçalves Oliveira, presidente da Sociedade Rural de Montes Claros.
O setor leiteiro enfrenta ainda escassez de mão de obra qualificada, custos elevados com máquinas, alimentação e insumos, além da falta de crédito acessível e de incentivos à modernização das propriedades.
O preço pago ao produtor caiu de R$ 3,30 para cerca de R$ 2,20 por litro, valor insuficiente para cobrir custos e manter a atividade sustentável.
“O que vemos é uma cadeia produtiva que cumpre um papel social, econômico e nutricional vital, mas que hoje está sufocada. É hora de união: produtores, cooperativas, indústrias, instituições e parlamentares precisam se unir por um movimento que garanta políticas de proteção e valorização da produção nacional”, conclui Otaviano Pires Jr.
Mobilização e união institucional
O movimento em defesa da cadeia leiteira já conta com o engajamento de instituições como a Sociedade Rural, Sindicato dos Produtores Rurais e ACGL e deve integrar, em breve, outros que buscam ampliar o debate junto a autoridades políticas, governos estaduais e federais.
A proposta é criar o Movimento SOS LEITE – “O campo pede socorro”, um grito de alerta do campo para o Brasil.
Mais que uma crise econômica, o que está em risco é a sobrevivência de milhares de famílias, a segurança alimentar e a continuidade de uma das atividades mais importantes do agronegócio nacional.
“O movimento SOS Leite é um chamado à ação. Não se trata apenas de preço — trata-se de dignidade, emprego e alimento. O campo pede socorro, e o Brasil precisa ouvir”, reforça Otaviano.
O SOS Leite busca consolidar-se como uma pauta nacional, capaz de gerar medidas concretas de proteção à produção brasileira, estimular a industrialização regional e fortalecer a renda do produtor rural.
Em defesa do produtor, da família e do alimento que chega à mesa do Brasil.