Erika Camila Pereira Nunes. Foto: arquivo pessoal
A jovem pesquisadora de Iniciação Científica (CNPq/Ação Afirmativa) Erika Camila Pereira Nunes, estudante do 8º período de História da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), foi aprovada em 2º lugar nacional no processo seletivo de intercâmbio Sul-Sul do Programa Caminhos Amefricanos, uma parceria entre o Ministério da Igualdade Racial e a CAPES. Ao lado de outros 47 acadêmicos, ela passará 15 dias na República Dominicana, onde participará de atividades formativas voltadas ao combate ao racismo e à valorização da história afrodiásporica.
O intercâmbio tem como objetivo socializar conhecimentos e metodologias voltadas à aplicação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Africana e Afro-brasileira nas escolas. Durante a viagem, Erika visitará museus e locais históricos do país caribenho, aprofundando-se na história afro-caribenha para, ao retornar ao Brasil, desenvolver o projeto “(Re)Historicizando o Devir Negro no Mundo e Positivando a Negritude em Sala de Aula”, voltado à educação básica.
Ao relembrar o momento da aprovação, Erika contou que viveu uma mistura de emoção e alívio. “Foi bastante emocionante ler meu nome na lista dos aprovados, não resisti ao choro. Estava há semanas ansiosa, e quando abri o edital junto à minha mãe, em Ubaí, desabei! Foi um choro de gratidão, pois dali em diante eu sabia que viveria um sonho: conhecer o país que se relaciona profundamente com meus estudos na Academia”, relatou.
Para ela, a conquista representa muito mais do que um marco individual. “Essa conquista é um marco na minha carreira iniciante como professora e pesquisadora de História, pois possibilitará a ampliação dos meus horizontes epistemológicos. Pessoalmente, reconheço a minha aprovação como uma vitória coletiva: dos meus pais, do meu grupo de pesquisa Odisseia e, claro, da minha Universidade querida, a Unimontes”, destacou.
Durante o intercâmbio, Erika pretende aprofundar as conexões entre as lutas negras nas Américas. “Desejo descobrir mais sobre a história afro-caribenha, com enfoque nas relações entre as lutas por liberdade e igualdade racial na ilha Hispaniola e suas conexões com as lutas dos negros no Brasil. Perceber esse diálogo será fundamental para o desenvolvimento do projeto proposto”, afirmou.
O projeto desenvolvido por ela será aplicado na rede pública de ensino, em três etapas: oficinas, aulas públicas e uma produção científica. “Debaterei a potência das lutas de escravizados e negros livres na construção da liberdade global e localmente, buscando empoderar a Negritude em sala de aula”, explicou.
Erika ressalta ainda que programas de intercâmbio como o Caminhos Amefricanos são fundamentais para a formação de professores e para a efetiva implementação da Lei 10.639/2003. “Entendo que o intercâmbio é uma oportunidade de conhecer melhor a contribuição que o Atlântico Negro traz para a história global e, assim, trabalhar melhor esse conteúdo ainda marginalizado na sala de aula. Pensar o negro no Brasil é essencial para mitigar os preconceitos e estereótipos racializados em nossa sociedade”, pontuou.
Com o olhar voltado para o futuro e já planejando o ingresso na pós-graduação, Erika deixa uma mensagem de incentivo a outros estudantes e pesquisadores negros. “Sejam perseverantes e não se apequenem diante do mundo! Estudem, criem redes de conhecimento e parceria em grupos de pesquisa, programas de ensino e extensão. A carreira acadêmica não é fácil, mas é recompensadora quando feita com propósito”, concluiu.