Foto: Cosmopolitan

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Em geral achei um álbum ótimo, coeso, interesse, de pontos altos e sem querer se colocar em um pedestal por ser uma pessoa famosa, sentimos o tempo inteiro, tudo tão claro e intenso, o álbum proporciona uma viagem e vale muito a pena.

 

A capa é ótima, foi feita pela artista Nieves González, envolve uma tendência do romantismo com moderno, e fez o conceito das faixas no youtube onde mistura sagrado e profano, e elementos que eram usados nas pinturas da época, mostrando que existe algo entre a história, melancolia e problemas atuais. O álbum começa com a faixa “West End Girl”, começa como se fosse uma bossa bem calminha, quase música de elevador, o que deu uma introdução como se fosse uma faixa de final de filme de romance, mas na verdade a nossa história aqui só está começando, a musica para no meio e ela simula como teria sido a conversa dela com o ex, falando sobre abrir o relacionamento, gosto da delicadeza da voz dela nas faixas, já que você não espera que envolta de tanta delicadeza, haveria tanto sarcasmo, sem contar que ela deixa bem claro que em nenhum momento ela se sentiu à vontade com essa ideia.  Ruminating é uma faixa que poderia ser um interlúdio, não que seja ruim, mas também não achei muito bom, meio repetitivo, mas creio que foi feito de propósito, para criar esse clima de melancolia, tristeza e pensamentos negativos que se repetem e deprimem, mas a batida é muito boa e me lembrou algo parecido com as músicas da Pinkpantheress; Bizarro em como nessa música ela viveu o pesadelo de todo corno e de todos que temem o relacionamento aberto, considerando que ela dizia não saber onde seria o limite que poderia ser cruzado ao se relacionar com as pessoas. Sleepwalking dá a entender que ela está em um estado de anestesia e distância afetiva do relacionamento, está vivendo no automático,  pessoas casadas sem intimidade e sem amor e fez com que ela recebesse a culpa de não ser digna de amor, destruindo a autoestima dela e nesse momento começo a entender como ela ficou destruída por dentro, ser ignorada pelo parceiro faz com que qualquer pessoa questione seu valor como pessoa e pode ser irreversível; destaco novamente a referência visual que a mesma usou para ilustrar as faixas, como:

Foto: Harper’s Bazar

Tennis é de fato uma virada do albúm, já que até então a Lily estava passiva vendo toda a situação e o distanciamento e não agia, eu gosto de como da primeira faixa até aqui, o álbum vai se tornando energético e como houve uma ambientação sonora nos preparando para o verdadeiro foco, as letras. Aqui ela conta como realmente a traição chegou até ela, onde envolvia algo que estava fora das regras que eles haviam combinado, e agora aparece finalmente a faísca de resposta a todo absurdo “ And who the fuck is Madeline?” E pela fofoca, vou mostrar para vocês quem é a Madeline…

Natalie Tippett, uma figurinista que teve um caso com o ator David Harbour enquanto ele ainda era casado, mostrando que não era uma relação distante, na verdades eles se conheciam a muito tempo e trabalhavam juntos:

                                                                                   Foto: Cosmopolitan

Madeline é a segunda melhor faixa do álbum, letra sincera, transformou um dialogo bizarro em uma catarse artística, tem sons de tiro finalmente mostrando que a Lily finalmente acordou para o quanto estava dormindo com o inimigo. 

Relapse é uma das coisas mais tristes que se pode ouvir, sabendo de como a Lily passou por problemas de abusos de substancias, álcool e transtornos alimentares, foi bom saber que ela se manteve firme e mesmo passando pelo pior momento de sua vida, onde disse que sentiu o chão caindo, perdeu sua segurança e quase caiu nessa de novo, interesse que é uma música que ilustra muito bem a dependência psicológica que esta envolvida na manutenção de um vicio, mas sonoramente não gosto. Pussy Palace é bem debochada, mas a sinceridade da Lily faz com que vivamos essa história intensamente com ela, são coisas que todo mundo já pensou uma vez na vida, mas que não teve coragem de dizer. Já começa debochando de stranger things, e o fato de que nessa música ela finalmente enxerga a pessoa asquerosa que estava casada, e infelizmente tenho que falar dele, David harbour, eles foram casados de 2019 a 2025, e já haviam vários boatos de que ele se sentia ameaçado pelo sucesso no teatro dela e que haviam muitas traições da parte dele.

Foto: Britannica

4chan Stan é engraçada, porque ela novamente vai retomando seu poder de zoar da cara, ela é divertida e basicamente é aquele momento que você identifica aquele cara que odeia mulheres e quer apenas rir da cara dele, por ser um ridículo e a apresentação visual da canção, é um palhaço chorando. Nonmonogamummy é a melhor faixa do álbum, super divertida, engraçada e a conclusão de eu me casei justamente para não ter que ir a caça o tempo todo, o instrumental é uma delícia, do nada aparece influências de reggae que deixam a faixa lá em cima. Just Enough parece ter sido feita pelos anjos, é emocionante do início ao fim, a interpretação de um lamento e como a letra mostra como ela se sente descartada e como vê que ficou se sujeitando a migalhas de amor e atenção, só para que ele continuasse do controle da relação, ela fala que abriu mão de seu poder e que passou a se ver com os olhos dele, então ela realmente começou a acreditar que merecia o mínimo. É um relato sincero e necessário, porque demonstra como nós mulheres sentimos medo de ser trocada porque envelhecemos, porque alguns maridos simplesmente passam ignorar suas esposas e tratar como estranhas, isso é relato de mulher humilde até mulheres ricas e famosas, é uma realidade e ter alguém desse tamanho falando sobre isso, trás ao olhar público e abre a discussão.

Dallas Major é o nome de guerra dela no tinder dos famosos, disse que estava lá procurando validação e querendo saber se ainda era desejável, mesmo sendo uma mulher de 40 anos com duas filhas adolescentes, a faixa é divertida e ela tira sarro da própria situação, quem nunca… Beg For Me é um espetáculo, o instrumental é muito interesse, mas novamente a letra é o destaque, é tão visceral e você consegue sentir tanta empatia, mas principalmente se identificar com os sentimentos e desejos dela, são tão humanos e natural dos seres humanos, querer se sentir amado e seguro, conseguimos sentir a agonia e desespero que ela sente. Não consegue entender o porquê não pode ser correspondida e porque ele parou de ter interesse, o que novamente volta a relação de mulheres que são invisíveis para os seus parceiros. Let You W/In não tentou inovar tanto no instrumental, mas ela fala sobre responsabilizar a pessoa que está errada, que vive sempre ganhando e ficando limpo de qualquer situação errada que fazem (principalmente famosos), mas agora ela disse que não vai deixar ele limpo, porque ela se comprometeu a cantar sobre isso e tirar a máscara dele para o mundo.

O álbum encerra com Fruityloop, que seria algo como ela dizendo que ele não vai mudar e que sempre estará em torno de algumas maluquices, ela entende a parcela de culpa nesse relacionamento, mas percebe que existe maldade no que ele faz e ele não tem coragem de simplesmente encerrar o ciclo, finalizamos como uma música de despedida e mostrando a libertação dela a esse relacionamento destrutivo. Em geral achei um álbum ótimo, coeso, interesse, de pontos altos e sem querer se colocar em um pedestal por ser uma pessoa famosa, sentimos o tempo inteiro, tudo tão claro e intenso, o álbum proporciona uma viagem e vale muito a pena.

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