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Quem me conhece sabe que não sou chegada em animes e muito menos em filmes, houve uma canseira da minha parte em relação a filmes já que agora todos são apenas voltados para nostalgia, e isso tem me desanimado a ir ao cinema. E esse também foi o filme que eu me dispus a ver simplesmente para fazer um agrado meu namorado, mas sempre vou com a mente aberta apesar de ter as expectativas no chão. E sim, dessa vez eu tive que sair do cinema e apenas bater palma para a obra de arte que eu tinha acabado de presenciar. Chainsaw Man é especial de tantas formas que eu não consigo colocar em palavras, mesmo assim eu vou tentar.
Tentarei não colocar spoiler mas vou ter que citar algumas cenas que foram bem marcantes. Há um momento em que o Denji, personagem principal, se dispõe a ir ao cinema e assistir 10 filmes com a menina que ele gosta e isso me trouxe muitas reflexões já que também me sinto assim em alguns momentos. Dentre todos apenas um o deixa sem palavras e o faz chorar, e novamente me sentia assim com esse filme. Não cheguei a chorar, mas em alguns momentos eu senti uma emoção tão intensa que o cinema não estava me proporcionando há muito tempo. Existe algo no anime que nos traz uma sensibilidade extrema misturada com um conhecimento profundo de cinema, os produtores não só entendem de produção, como também sabem explorar as técnicas necessárias para transmitir sentimentos e sensações com as cores, sons e cortes de cenas, o que faz com que o filme fosse uma experiência sensorial.
As cenas em que o protagonista se relaciona com o seu interesse amoroso, Reze, transmite tanta delicadeza que é possível tocar, a forma com que as músicas entram altas e se misturam com as cores e os takes e as os movimentos de câmera é tudo tão bem pensado que aquilo não poderia ter sido feito apenas de uma forma racional, mas com muita emoção e com muita paixão pela obra. Não conhecia o anime então tudo para mim foi surpresa, muitas pessoas falam do quanto a animação de Demon Slayer é bonita, mas as sensações que Chainsaw Man me trouxe, estão além de uma questão estética, é uma questão que me fez lembrar de coisas muito mais específicas e profundas e não tem a pretensão de ser nostálgico.
Acho que esse filme toca tanto o nosso interior porque discute algo interessante de forma fantasiosa, “o primeiro amor” as sensações intensas que são colocadas na interação dos personagens nos fazem lembrar de quando nós tivemos essa sensações intensas pela primeira vez, você querer alguém você conseguir estar com essa pessoa e você ter a primeira experiência de conhecê-la profundamente, de se entregar, de perceber que aquilo é recíproco e principalmente de como é perder aquela pessoa e ter que recomeçar.
O Danji é totalmente imaturo, mas não dá para ficar com raiva dele, pois parece uma criança conhecendo pela primeira vez o que é um sentimento gigantesco de amar e ser amado. Eu não sou do tipo de pessoa que romantiza primeiro amor, na verdade nem foi tão marcante assim na minha vida, mas o sentimento que está proposto no filme faz com que a gente desenvolva uma empatia tão forte pelos personagens e é difícil não se entregar.
A Reze é um show à parte, a personagem é uma vilã tão cheia de camadas que não precisa saber a história triste dela para você torcer, nem que seja um pouco, pelo final feliz dela. Ela é tão poderosa e ao mesmo tempo tão frágil que faz com que nós mulheres entendamos o quão é difícil hoje em dia a gente se entregar para o amor e no final quando descobrimos os verdadeiros sentimentos dela é muito interessante ver como a dicotomia dos relacionamentos está no que não é falado, apenas sentido.
Enfim, Chainsaw Man conta a história de um matador de demônios mas não é o que realmente falou para mim, em vários momentos foram usadas metáforas para falar sobre como relacionamento deles está caminhando, e novamente: que talento da direção e produção! Esse filme retomou minha vontade de consumir cinema de novo e tudo isso em uma história de anime a qual eu não esperava nada. Uma produção que não tem pretensão de ser profundo ele apenas é, ele apenas existe, e tudo que não é falado é demonstrado nas sensações, é um delírio sensorial, ele vai te tocar de alguma forma, seja nas cenas intensas de amor, de ódio ou de violência e luta.