Foto: Larissa Durães
A Associação AVC Norte de Minas, em parceria com a Santa Casa e o Rotary Club Teresa de Calcutá, deu início, nesta segunda-feira (20), às ações da Semana de Conscientização sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC) em Montes Claros. A abertura aconteceu na área gourmet do Montes Claros Shopping, com a III Exposição Fotobiográfica “Caminhos da Esperança”, que reuniu pacientes, médicos, autoridades e representantes do poder público em uma noite marcada por emoção e informação. A exposição vai até dia 31 de outubro de 2025.
O presidente da Associação, Márcio Monteiro, explicou que Montes Claros conta com uma unidade especializada em AVC na Santa Casa, com 20 leitos destinados ao atendimento de pacientes. Segundo ele, a entidade nasceu da necessidade de acolher e orientar famílias que enfrentavam o desafio de lidar com a doença. “A Associação surgiu a partir da demanda de pacientes e familiares que tinham muitas dúvidas e desencontros de informações durante o tratamento. Criamos esse espaço para oferecer apoio emocional e educativo, porque o AVC muda completamente a vida da pessoa e de toda a família”, afirmou.
Monteiro destacou que o impacto do AVC vai além da saúde. “Muitas vezes, um familiar precisa deixar suas atividades para cuidar do paciente, o que gera consequências emocionais e financeiras. A pessoa deixa de produzir e passa a depender de auxílios e da ajuda de outros familiares”, explicou. Para minimizar esses efeitos, a Associação realiza reuniões semanais com familiares e pacientes, promovendo orientações sobre os tipos de AVC e os fatores de risco — como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e alcoolismo — que são totalmente preveníveis.
Formalmente instituída em 2023, a entidade ainda busca fortalecimento e reconhecimento junto ao poder público. “Ainda não conseguimos os benefícios que outras associações têm, mas estamos convidando voluntários para nos ajudar a construir políticas públicas e cobrar o cumprimento da linha de cuidados do AVC, determinada pelo Ministério da Saúde”, disse o presidente.
Ele também ressaltou o apoio de lideranças locais à causa. “Alguns vereadores de Montes Claros são bastante engajados e já existe uma lei municipal, a de número 5.590 de 2023, sancionada pelo então prefeito Humberto Souto, que infelizmente faleceu em decorrência de complicações de um AVC. Essa lei institui ações permanentes de conscientização e prevenção no município”, finalizou.
O neurocirurgião Márcio Nobre, que participou do evento, reforçou a importância da prevenção. Segundo ele, o AVC ocorre quando há obstrução ou rompimento de um vaso sanguíneo, impedindo o fluxo adequado de sangue para o cérebro. “Quanto mais tempo o cérebro fica sem receber sangue, maior é o risco de danos irreversíveis ou até de morte”, explicou.
O médico destacou que a principal causa é a hipertensão arterial. “Nosso pior inimigo é a pressão alta. Pacientes hipertensos têm muito mais chances de sofrer um AVC, principalmente quando associam outros fatores, como diabetes, tabagismo, sedentarismo e obesidade. Quando esses fatores se somam, o risco é quase previsível”, alertou.
Embora mais comum em idosos, o especialista lembrou que o AVC também pode atingir jovens e até crianças. “O jovem também tem AVC, mas as causas são diferentes. Às vezes, há deformidades genéticas nas artérias, e o chamado AVC do esforço pode ocorrer durante uma atividade física intensa. Esses casos são raros, mas acontecem”, relatou.
Para ele, o atendimento rápido é decisivo. “Se o paciente chega ao hospital dentro do tempo hábil, é possível reverter o quadro. Existe um medicamento que desobstrui o vaso e restaura a circulação, salvando o tecido cerebral. O tempo é fundamental”, reforçou.
Entre os relatos de superação apresentados na exposição, o da educadora física Érika Porfírio, de 36 anos, emocionou o público. Ela sofreu um AVC aos 25, durante um treino na academia, e afirma que o episódio mudou sua forma de encarar a vida. “Sempre tive hábitos saudáveis e fazia acompanhamento médico. Mesmo assim, aconteceu comigo. Descobri que o AVC pode atingir qualquer pessoa, de qualquer idade. Hoje, continuo me cuidando, mas com muito mais equilíbrio mental e espiritual”, disse.

Outro testemunho foi o de Cláudia Fernandes Antunes e Souza, que sofreu um AVC em 14 de junho de 2023. “Eu levantei, acordei de manhã e, quando levantei, já caí. Tomei uma queda no banheiro e não conseguia levantar. Meu companheiro percebeu que eu estava com a fala embolada e chamou o SAMU. Eles vieram rapidamente, e foi essa agilidade que fez toda a diferença. Não fiquei com nenhuma sequela”, contou.
Cláudia reforçou que o AVC pode atingir qualquer pessoa, mesmo fora dos grupos de risco. “Pode acontecer com qualquer pessoa. As pessoas têm que cuidar realmente da saúde. Tenho certeza de que meu cuidado fez a diferença para eu superar o evento”, destacou. Ela ainda deixou um alerta: “O check-up anual faz toda a diferença em cuidar da saúde”.
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