Montes Claros sedia exercício simulado para reforçar sanidade da pecuária brasileira

Secretário de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural de Montes Claros, Osmani Barbosa, presidente da Sociedade Rural de Montes Claros, Flávio Gonçalves Oliveira, secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, e a diretora-geral do IMA, Luísa de Castro.Foto: Larissa Durães

O simulado reforça a articulação entre produtores, governo municipal e órgãos estaduais

 

Montes Claros recebeu nesta sexta-feira (26) a coletiva de imprensa do “Exercício Simulado de Atendimento a Foco de Febre Aftosa”, realizada pelo secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Thales Fernandes, e pela diretora-geral do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Luiza de Castro. A ação preventiva, que será realizada até 2 de outubro em parceria com o Ministério da Agricultura (MAPA), contará com a participação de 150 fiscais e tem como objetivo treinar a capacidade de resposta a casos da doença, reforçando o status internacional do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.

“O mundo está de olho aqui para enxergar a robustez do serviço veterinário oficial brasileiro e mineiro, porque o IMA é referência. Uma vez conseguido esse status, que foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em maio, o grande desafio agora é mantê-lo. Esse simulado mostra o trabalho que estamos fazendo para garantir que isso seja mantido e demonstra que estamos prontos para abrir novos mercados”, afirmou Thales Fernandes. Segundo ele, Montes Claros foi escolhida por ser referência na pecuária de corte extensiva e por reunir apoio da prefeitura, da sociedade rural e de órgãos de segurança, como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. “Mais de 50% da pecuária do estado vem do norte de Minas, e aqui temos genética de ponta, produtores capacitados e frigoríficos habilitados para exportação, o que permite ampliar mercados internacionais”, completou.

Luiza de Castro explicou que não há foco de febre aftosa na região desde 1996. “O que estamos fazendo aqui é um exercício de simulação do atendimento a um eventual foco. Esse exercício fica registrado junto à Organização Mundial de Saúde Animal e demonstra nossa capacidade de atendimento, garantindo confiança para ampliar nossos mercados internacionais e gerar crescimento econômico para todo o estado”, disse.

A simulação é conduzida em etapas que reproduzem uma ocorrência real da doença. “Primeiro há a suspeita e notificação, seguida da investigação com coleta de material para análise laboratorial. Depois iniciam as atividades de atendimento ao foco, que incluem a propriedade atingida, o perifoco e a zona de vigilância. Também levantamos a rastreabilidade de todos os animais que transitaram na área, garantindo que não haja dispersão da doença. Quanto menor o tempo de resposta, maior a confiança e menor o impacto nos acordos bilaterais”, detalhou Thales Fernandes.

A inovação tecnológica também é parte do exercício. “Desenvolvemos em Minas Gerais, em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA), ferramentas modernas que integram mapas das áreas afetadas, compatibilizam sistemas como o selo verde, organizam o dimensionamento das equipes e geram relatórios oficiais. Desde o rastreio até o encerramento do foco, essas ferramentas aumentam a eficiência e demonstram que o serviço agropecuário de Minas Gerais é cada vez mais profissional e contemporâneo”, explicou Luiza de Castro.

Produtores e autoridades locais destacam importância do simulado

O evento contou com a presença do presidente da Sociedade Rural de Montes Claros, Flávio Gonçalves Oliveira, e do secretário de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural de Montes Claros, Osmani Barbosa.

Flávio Oliveira destacou a relevância da ação para os produtores da região e para o norte de Minas Gerais. “Há muitos anos, não temos nenhum foco de febre aftosa, graças ao trabalho constante de orientação aos produtores sobre vacinação e sanidade do rebanho. Sempre buscamos articular com o IMA, Ministério da Agricultura, universidades e o Senar, promovendo capacitação contínua para que os produtores exerçam sua atividade com eficácia, evitando a proliferação de doenças”, afirmou.

O presidente explicou ainda como os produtores podem colaborar em caso de ocorrência real. “O produtor precisa estar atento e predisposto a abrir sua propriedade para verificação, garantindo transparência para que o IMA realize o trabalho de forma efetiva. Com ferramentas tecnológicas como a apresentada aqui pela Luiza, conseguimos identificar rapidamente propriedades no perímetro do foco e avaliar se houve dispersão da doença. A colaboração dos produtores é essencial nesse processo”, disse.

Já o secretário Osmani Barbosa ressaltou a importância de Montes Claros sediar o simulado. “É uma simulação, mas mostra ao mundo que o norte de Minas, e Minas Gerais como um todo, estão preparados para lidar com qualquer eventualidade. A cidade possui produtores de corte bem estruturados e frigoríficos habilitados para exportação, e é fundamental demonstrar que estamos prontos para proteger o comércio e a renda do produtor”, explicou.

Osmani destacou ainda a tranquilidade que a iniciativa proporciona aos produtores. “Como produtor, é uma garantia e um compromisso do Estado de Minas e do IMA para nos proteger caso algo aconteça. Sabemos que, se houver algum foco, estaremos preparados para agir rapidamente e mostrar ao mundo nossa capacidade de resposta”, afirmou.

O simulado reforça a articulação entre produtores, governo municipal e órgãos estaduais, além de demonstrar a robustez do sistema de defesa agropecuária do Brasil e sua capacidade de manter o país livre de febre aftosa, protegendo o comércio e os mercados internacionais.

Presidente da Sociedade Rural de Montes Claros, Flávio Gonçalves Oliveira; Secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes; diretora-geral do IMA, Luísa de Castro e o Secretário de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural de Montes Claros, Osmani Barbosa,. Foto: Larissa Durães.

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