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Fomos agraciados com o lançamento do tão esperado single “MEXE”, parceria entre Pabllo Vittar e NMIXX. Essa parceria ganha ainda mais peso quando lembramos o histórico de homofobia na Coreia do Sul, onde artistas LGBTQIA+ enfrentam barreiras sociais e institucionais. Ao trazer uma drag queen brasileira para o estúdio da JYP Entertainment, este feat representa um gesto de visibilidade e acolhimento que desafia preconceitos e com certeza inspira vários fãs ao redor do mundo.A Coreia do Sul ainda convive com um conservadorismo social enraizado, que se reflete em leis de proteção insuficientes para a comunidade LGBTQIA+. Não há legislação nacional contra a discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, e debates sobre união civil ou casamento igualitário raramente ganham espaço no parlamento. Essa conjuntura faz com que muitos artistas com potencial LGBTQIA+ ocultem sua orientação para evitar boicotes ou perda de patrocínios.

No âmbito cultural, exércitos de fãs sustentam a economia do K-pop, mas a visibilidade LGBTQIA+ encontra resistência. Cantores assumidos ou drag queens são exceção, não regra, e muitas drags enfrentam barreiras administrativas e sociais para subir em palcos mainstream.

Quando uma artista queer do Brasil, onde o cenário musical é mais aberto a expressões de gênero, cruza com um dos grupos mais promissores do país asiático, o impacto vai além do entretenimento.

 

  • Visibilidade global: fãs de K-pop conhecem Pabllo Vittar e passam a se engajar em debates sobre diversidade.
  • Quebra de estigmas: o simples ato de cantar lado a lado demonstra que talento não tem orientação sexual.
  • Inspiração para artistas emergentes: jovens coreanos LGBTQIA+ ganham um exemplo de coragem e aceitação.

Essa aliança simbólica sugere que a indústria coreana pode caminhar rumo a uma maior inclusão, ainda que o processo seja gradual.

 “MEXE” traduz essa aliança em versos que invitam ao movimento, à entrega e à celebração do corpo e do desejo. A letra mescla o português envolvente de Pabllo com linhas em inglês e coreano, reforçando o tom multicultural. A batida, recheada de sintetizadores, percussões e um funk bem presente, explode em um refrão grudento que funciona como um convite coletivo à dança e à quebra de amarras.

O MV complementa a musica, dando o “ar NMIXX” à musica, apresentando ambientes abertos e amplos, roupas mais escuras e jogos de câmera dinâmicos. Está tudo ali, tudo bem amarradinho, com um pouquinho de cada uma presente.

“MEXE”, mais do que uma música, é o encontro que fortalece a rede de apoio internacional à causa LGBTQIA+. A parceria mostra que, quando a arte se aproxima do ativismo, ela tem o poder de questionar normas, empoderar vozes silenciadas e inaugurar um novo patamar de representatividade na indústria musical.

 

Foto: Divulgação.

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