Preta Gil

A cantora Preta Gil durante sua apresentação no Domingão do Hulk - Foto: Divulgação Globo

Preta Gil, 50: trajetória de uma voz vibrante que chegou ao fim

A cantora Preta Gil faleceu neste domingo (20), aos 50 anos, em Nova Iorque (EUA). A artista lutava contra um câncer colorretal diagnosticado em janeiro de 2023 e enfrentou uma recidiva em agosto de 2024, com metástases em linfonodos, peritônio e ureter. Após uma longa cirurgia em dezembro de 2024 no Brasil, incluindo implantação de bolsa de colostomia, ela passou dois meses internada e iniciou em fevereiro de 2025 um tratamento experimental nos Estados Unidos com terapias inovadoras em centros como o Memorial Sloan Kettering de Nova York.

 Prêt-à Porter à consolidação como ícone da diversidade musical

Preta Gil estreou em 2003 com o álbum Prêt‑à Porter, numa mistura ousada de samba-funk, pop e axé. A capa provocativa, com imagens nuas, reforçou sua rejeição a padrões estéticos e sua mensagem de liberdade e autenticidade. Dois anos depois, lançou Preta (2005), reforçando seu estilo irreverente e engajado.

Seu terceiro álbum, Sou como Sou (2012), reafirmou sua força autoral com singles como “Sou Como Sou”, “Mulher Carioca” e “Relax”, mesclando críticas sociais e celebração à mulher real – tema central da obra.

Em 2014, lançou o DVD Bloco da Preta, registro ao vivo de uma festa musical realizada no Citibank Hall (Rio), celebrando seus dez anos de carreira. O show reuniu convidados como Lulu Santos, Ivete Sangalo, Anitta e Thiaguinho e incluiu sucessos como “Stereo”, “Milla” e “Sinais de Fogo”.

O fenômeno do Bloco da Preta: do palco às ruas

O Bloco da Preta nasceu como um desdobramento da turnê “Noite Preta” em 2009, na boate carioca The Week. Em poucos anos, transformou-se num dos maiores blocos de rua do Brasil, arrastando milhões de foliões por diversas edições do Carnaval carioca e apresentações pelo país.

O evento se desdobra em blocos musicais temáticos — funk, samba, axé, sertanejo, pop, pagode — e sempre traz convidados de peso como Ivete Sangalo, Lulu Santos, Monobloco e Anitta. O pai e cantor Gilberto Gil, teve sua estrei no Bloco em 2016, junto da filha.

Preta Gil consolidou uma carreira marcada pela autenticidade e enfática defesa da diversidade. Sua presença no Bloco da Preta tornou-se símbolo de resistência trazendo o Carnaval de rua, unindo irreverência, música e militância cultural. Mesmo após seu diagnóstico, a cantora permaneceu ativa e otimista, compartilhando com seus seguidores a evolução do tratamento, agradecendo o apoio recebido e reafirmando a importância da energia positiva.

A última aparição de Preta nos palcos foi ao lado do pai, onde cantou a música Drão, que foi composta para a mãe Sandra Gadelha.

Despedida e memória

Hoje o Brasil se despede com pesar da cantora que cantou para diferentes gerações e palcos, das boates do Rio às avenidas abarrotadas de seu bloco icônico. Preta Gil carregou nas canções a defesa do prazer de existir, da inclusão e do calor humano — qualidades que permanecerão eternas.

Sua história reforça que a arte pode ser também um ato político: provocadora, acolhedora e livre. Que sua voz ecoe em suas músicas, em cada Carnaval colorido e em cada gesto de resistência coletiva. Que ela vá em paz e que seu legado continue pulsando.

Linha do tempo artística

Ano Evento marcante
2003 Álbum debut Prêt-à Porter (Warner), com samba‑funk e atitude provocadora
2005 Álbum Preta — consolidando estilo autoral descarado e sincero)
2009–12 Turnê Noite Preta e lançamento do álbum Sou como Sou em 2012
2013 Gravação do DVD Bloco da Preta no Citibank Hall (Rio) com diversos artistas convidados
2014 Expansão do bloco de rua com mais de 2,5 milhões de foliões em edições carnavalescas

 

 

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