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Na noite do último domingo (29), Montes Claros foi palco de um importante encontro entre lideranças do agronegócio do Norte de Minas e o ex-ministro Aldo Rebelo. O objetivo da reunião foi debater os gargalos que travam o desenvolvimento do setor na região e traçar estratégias para impulsionar a agropecuária local.
O evento reuniu representantes de peso, como a Sociedade Rural, Sicoob Credinor, Abanorte, Aspronorte, Sindicato dos Produtores Rurais e a ACGC (Associação dos Criadores de Gado de Corte do Norte de Minas), demonstrando a união das entidades em prol de uma agenda comum.
Os entraves que desafiam o agronegócio regional
A pauta do encontro foi robusta, abordando questões cruciais que afetam diretamente a produção e o investimento na região. Entre os principais pontos discutidos, destacaram-se:
- Lentidão e dificuldades nos processos de licenciamento ambiental: Um dos maiores entraves, que gera insegurança jurídica e atrasa investimentos.
- Escassez de infraestrutura hídrica: Um problema crônico que compromete a capacidade produtiva, especialmente em um cenário de mudanças climáticas.
- Barreiras ao crédito produtivo: Dificuldade de acesso a financiamentos, essenciais para modernização e expansão das atividades.
- Aumento das fiscalizações e embargos: Ações que, segundo os produtores, muitas vezes carecem de equilíbrio e afetam desproporcionalmente pequenos e médios agricultores.
Esses fatores, conforme apontado pelas lideranças, não só prejudicam o desempenho do agronegócio, mas também freiam o desenvolvimento econômico de toda a região.
Propostas e reflexões das lideranças
Diversas lideranças apresentaram temas estratégicos e soluções para os desafios. Flávio Oliveira, presidente da Sociedade Rural de Montes Claros e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Verde Grande, ressaltou a urgência da construção da barragem de Congonhas, vista como fundamental para garantir segurança hídrica e ampliar a capacidade produtiva.
Representando a Aspronorte, Astério Itabayana Neto e Rodolpho Rebelo destacaram os entraves na regularização fundiária e ambiental, especialmente as dificuldades com a Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Eles apontaram exigências excessivas, morosidade e insegurança jurídica como fatores que travam investimentos e o acesso ao crédito.
Alexandre Rocha trouxe à tona os desafios dos produtores da Mata Atlântica, que enfrentam conflitos gerados por legislações ambientais sobrepostas, inviabilizando a expansão da produção. Já José Moacyr Basso, da ACGC, alertou para a burocracia no licenciamento ambiental de confinamentos bovinos, ressaltando que a lentidão compromete a competitividade da pecuária regional.
A participação dos diretores da Credinor, incluindo o presidente Dario Colares, reforçou o alinhamento das cooperativas de crédito com as pautas prioritárias do setor, demonstrando um esforço conjunto para encontrar soluções financeiras.
O posicionamento de Aldo Rebelo e o futuro da articulação
Com vasta experiência na vida pública, o ex-ministro Aldo Rebelo foi recebido com grande atenção. Seu discurso, pautado pelo nacionalismo e pela crítica à atuação excessiva de ONGs e órgãos ambientais, ressoou fortemente entre os produtores.
Aldo Rebelo propôs que as entidades elaborem, ainda este ano, um dossiê técnico com dados econômicos e propostas legislativas. Esse material subsidiará a criação de uma agenda conjunta a ser apresentada à Assembleia Legislativa de Minas Gerais e ao Congresso Nacional. “O que está acontecendo aqui é parte de uma ofensiva que vem de dentro do Estado, mas também de fora dele. Multas, embargos e autuações estão sendo aplicadas com rigor sobre pequenos e médios produtores, enquanto falta equilíbrio nas decisões. Isso precisa ser contido com união e firmeza institucional”, afirmou o ex-ministro.
Ele enfatizou que prejudicar a atividade rural significa prejudicar a economia dos municípios, a arrecadação de impostos e os empregos. “A pressão que os produtores estão sofrendo precisa ser enfrentada de forma organizada e política”, declarou, destacando a importância da articulação entre entidades de classe, prefeituras, câmaras municipais, deputados estaduais, federais e senadores.

Para Flávio Oliveira, a presença de Aldo Rebelo em Montes Claros demonstra que “o agro do Norte de Minas não está isolado. Temos história, representatividade e vamos fazer valer nossa voz.” José Moacyr Basso complementou, ressaltando que “ao final da reunião, ficou claro que o Norte de Minas não quer favores. Quer condições de competir, produzir e crescer — com justiça, segurança jurídica e respeito a quem trabalha pela alimentação do país.”