Arthur Lira é mestre em soluções toscas para problemas complexos

Arthur Lira está com faniquito. Ele quer por que quer mostrar serviço. E da pior forma possível. Nesse afã de quem está com a faca e o queijo na mão devido a um Governo fraco, ele não se faz de rogado. Atropela debates, tratora a tudo e a todos, impõe sua vontade, deixa Bolsonaro de joelhos e a sociedade boquiaberta. É um fenômeno. Às avessas, é claro.

Veja essa história do projeto do ICMS. É tanta coisa errada que não é fácil começar a elencar o rol de bobagens. A proposta se destaca pelo nível de estupidez. Não resolve o problema da população, atrapalha estados e municípios e tumultua o debate. Mesmo com a aprovação avassaladora na Câmara dos Deputados, nada garante que o projeto passará com o mesmo furor no Senado. E, mesmo que passe, tem tudo para morrer no Judiciário. Uma baita bola fora de Lira. Mais uma, né?

Indexar a alíquota de arrecadação ao valor cobrado nas bombas nos últimos dois anos pode ser positiva ao usuário hoje, mas nada garante que ainda será daqui uns meses. Se o barril de petróleo cair, pagaremos o imposto de quando estava nas alturas.

O problema da fortuna que pagamos pelo combustível se deve a três fatores: preço do petróleo nas alturas no mercado internacional, desvalorização brutal do real frente ao dólar e vinculação do preço cobrado pela Petrobras ao praticado mundo afora. Simples assim.

Mas se o diagnóstico é simples de ser feito, a solução não vem com a mesma facilidade. É picaretagem retórica dizer que a tal da “vontade política” dá cabo ao problema. Não mesmo. Definir o que o Brasil quer da Petrobras é o que deve ser feito.

E Bolsonaro falando em privatizar a Petrobras, hein? Bem típico. Não se responsabiliza pelos problemas que são do governo e tenta se livrar da batata quente que está em suas mãos. Ele acha que vender a empresa lhe economizaria choro no banheiro. Vá lá, Bolsonaro: enxugue as lágrimas e coloque o projeto de privatização para andar no Congresso. Você acha que, nessa altura do campeonato, tal projeto passaria? Pois é, também acho que não.

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