Aumento no valor de insumos e medicamentos na pandemia afeta hospitais em retomada das cirurgias eletivas

O avanço da vacinação em estados e municípios espalhados pelo Brasil tem feito muitos gestores retomar as cirurgias eletivas, consideradas não urgentes ou que podem ser agendadas sem prejuízo aos pacientes, e que foram suspensas durante a pandemia da Covid-19. Mas, gestores de saúde temem o futuro devido ao aumento majoritário no valor de insumos e medicamentos. Para eles o momento ainda exige cautela.

O presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Haikal Helou, explica ao Jornal Opção, que houve um grande impacto com o represamento de cirurgias eletivas. “O nosso volume SUS é muito pequeno onde foi o maior impacto. Mas, ouve um impacto grande no Ipasgo, um acúmulo assim que foi suspensa a normativa que tinha obrigado a suspensão das eletivas. Essas cirurgias na maioria das vezes não são canceladas e sim adiadas, quando acaba essa suspensão a maioria volta e gera um acúmulo de serviços e um certo transtorno”, disse.

“Entendemos que a suspensão em certos casos muito específicos se fazem necessárias, mas, tem que haver uma discussão ampla em relação a isso para não gerar o problema que está gerando agora. Algumas cirurgias são chamadas de eletivas porque não coloca a vida do paciente em risco imediato, mas elas trazem dor, transtorno, perda funcional e algumas podem agravar colocando a vida do paciente em risco como não era no início”, alerta.

Segundo Haikal, as cirurgias mais comuns nos hospitais são colectomia, hernioplastia, herniorrafia, cirurgia ortopédica e cirurgias vasculares essas são segundo ele, as eletivas mais realizadas que acabaram sofrendo, principalmente cirurgia geral e ortopedia.

Aumento no preço de insumos e medicamentos

De acordo com o presidente Haikal Helou, houve um desbalanço em relação a insumos e medicamentos. “Houve um aumento grande do que nós gastamos  e não houve uma contrapartida da maioria das operadoras. Isso é um problema, temos hoje fornecedores que se recusam a fornecer para hospitais, porque a tabela não foi alterada e o custo dele aumentou e isso tem gerado transtorno”, afirma.

“Então coisas que não usávamos e que usamos agora como os EPIs, equipamento de proteção individual aumentou e mudou o conceito do que era é EPI. Antibióticos, relaxantes neuromusculares houve um aumento no consumo e no preço. Essas coisas liberaram um desbalanço econômico financeiro importante e não houve contrapartida da maioria das operadoras, na Unimed acertamos mas, nas outras tem muita pendência ainda. Isso gera um problema e tem hospital hoje pagando para trabalhar e essa situação não permanecerá assim por  muito tempo. Na expectativa de que tenha uma solução se não vier essa solução a situação tende a piorar”, diz.

Outro problema é a questão de pessoal e capacitação para o atendimento. “É um problema, porque perdemos pessoas. É tudo um novo treinamento, e tudo passou a ser potencialmente perigoso, é um momento tenso. Houve aumento de gasto em pessoal, em capacitação, em contratação, em afastamento. Nós ainda estamos analisando o tamanho do dano”, pontua.

Para Haikal não há dúvidas de que isso impacta nas cirurgias sem urgência. “Fica cheio de pacientes que não é da especialidade, porque a maioria dos hospitais são de especialidade cirúrgicos, com gastos de insumos, com a redução do que fazemos, porque o paciente eletivo também não quer ir ao hospital, eles têm medo de se contaminar no ambiente hospitalar, tanto que aumentou os óbitos por câncer. Houve uma diminuição do que o hospital fatura porque ele saiu do que é usual para atender outro, houve um aumento de custo, isso é uma tempestade perfeita”, ressalta.

Segundo o presidente do Ipasgo, Dr. Hélio José Lopes existe o mesmo problema com relação a majoração de preços. “Tanto dos insumos quanto dos medicamentos. Temos tentado negociar com nossa rede, porque o Ipasgo não compra medicamento, quem compra é a rede credenciada e o Ipasgo  tem uma tabela, pratica-se essa tabela, e quem é nosso credenciado que dá o atendimento e toda a aquisição desses insumos. Mas temos recebido muita  reclamação de que houve uma majoração muito grande e que eles não tem tido uma boa margem e lucro”, relata.

Regularização das filas cirúrgicas

De acordo com o representante da Ahpaceg, um aumento nas filas foi notado no Ipasgo durante o período. “Houve um aumento muito grande, principalmente, com relação ao Ipasgo, logo depois que voltou a realizar essas cirurgias eletivas. Acredito que tenha normalizado, mas nas primeiras duas ou três semanas teve um volume muito alto e muitos hospitais tem cota e isso gerou um problema, porque não podia dar razão a todas as cirurgias porque existiam cotas que limitavam o número de cirurgias, mas como ninguém tem queixado mais nos últimos dias eu imagino que tenha normalizado”, destaca Haikal.

O presidente do Ipasgo, Dr. Hélio José Lopes disse ao Opção, que no ano de 2020 no início da pandemia, quando houve a lotação total dos leitos, principalmente de UTI, para tratamento da Covid-19, as cirurgias eletivas foram suspensas. “Permanecemos com elas suspensas até 14 de agosto. A nossa maior demanda de cirurgias eletivas no ano passado eram bariátricas, nós chegamos a realizar 884 cirurgias bariátricas no ano de 2020. As demais não tivemos dificuldade nos hospitais credenciados, da rede do Ipasgo”, explica.

Segundo Dr. Hélio, na primeira onda da pandemia em 2020  houve um decréscimo muito grande a partir de outubro, e não viu dificuldade no atendimento as cirurgias. “Neste ano na segunda onda que aconteceu entre março e início de abril, nós tivemos no caso do Ipasgo especificamente, com lotação dos leitos de UTIs e foi necessário novamente suspender por portaria normativa as cirurgias eletivas. Quando chegou em 10 de maio já teve um decréscimo, e tivemos facilidade na colocação de pacientes em leitos de UTIs e  liberamos  as cirurgias eletivas e de lá pra cá não tivemos dificuldade na nossa rede credenciada”, afirma.

De acordo com o gestor, o Ipasgo hoje conta com 184 hospitais credenciados nos 246 municípios de Goiás. “Dentro do Instituto analisando o que vivenciamos no dia-a-dia nós não temos tido dificuldade. Não temos este número de que tem encontrado dificuldade de cirurgias eletivas, pelo contrário quando liberamos em 10 de maio o paciente que estava previsto para setembro ou outubro, temos informações que a rede está fazendo antecipação dela, então posso afirmar que nós temos uma certa tranquilidade dentro do instituto com relação as cirurgias eletivas”, conclui.

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