Pastor evangélico é investigado por violência sexual contra fiéis, em Goiânia

O pastor Esney Martins da Costa, da Igreja Evangélica Renascendo para Cristo, é investigado por crimes de violência sexual contra duas mulheres e uma adolescente de 16 anos, em Goiânia. Nos relatos, as vítimas informaram que buscavam a igreja para superar traumas (ausência paterna, abusos sexuais sofridos anteriormente ou términos de relacionamentos), mas acabavam sendo manipuladas e abusadas pelo líder religioso devido à condição de vulnerabilidade emocional. Os crimes ocorreram por diversos anos, mas só foram denunciados no último mês. O caso ganhou repercussão após matéria veiculada pelo Fantástico, na noite de domingo (1º).

Segundo a Defensoria Pública de Goiás(DPE-GO), há indícios de estupro, importunação sexual, posse sexual mediante fraude, ameaça, lesão corporal, instigação ao suicídio, crimes de injúria e difamação.

Conforme as vítimas, Esney  alegava que “Deus estava ordenando” que agisse daquela maneira para promover a cura. Quando não tinha as vontades e anseios atendidos, o pastor dizia que iria orar pela morte das vítimas e as famílias delas. Por medo e pela fé, as mulheres achavam que se não cedessem estariam contrariando a vontade de Deus e, inclusive, preferiam tirar a própria vida a denunciar o pastor.

Os abusos, conforme apontam os relatos, se iniciavam de maneira sutil, com apalpada para uma oração, por exemplo. Quando questionado sobre o comportamento, o pastor alegava que fazia parte da cura.

“Pelo que foi revelado no depoimento das vítimas, pudemos verificar que elas foram submetidas a um enorme constrangimento psicológico, físico e sexual. Os relatos evidenciam o uso da boa-fé dessas meninas, adolescentes, mulheres jovens, no intuito de satisfazer a sua lascívia, o seu desejo sexual. Além de mexer com tudo isso – a integridade física, a psíquica e sexual –, ele mexe com a fé dessas mulheres, de modo que elas acreditam que não cedendo às exigências dele elas estariam atentando contra o próprio Deus, o que seria uma coisa muito maior”, explica a defensora Gabriela Hamdan.

Investigação

Ao todo, dois inquéritos policiais foram instaurados para apurar os crimes. Um deles na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e o outro na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Segundo a Polícia Civil, vítimas e suspeito já foram ouvidos. Ambos processos estão em fase final de conclusão.

O caso chegou até à corporação por intermédio da Defensoria Pública. Um servidor do órgão, que também é frequentador da Igreja Evangélica Renascendo para Cristo, ouviu relatos das vítimas e as orientou a buscar atendimento no Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher (Nudem).

No dia 2 de junho, as vítimas formalizaram a denúncia na Polícia Civil.

O Mais Goiás tentou contato com a advogada do pastor Esney, mas as ligações não foram atendidas. O espaço está aberto para manifestação.

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