CPI da Covid espera ouvir Witzel sobre gastos da Saúde no Rio nesta quarta (16)

CPI da Covid espera ouvir nesta quarta-feira (16), a partir das 9h, o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel sobre o uso de dinheiro público no combate àpandemia do coronavírus no estado.

Apesar de ter sido autorizado ontem à noite pelo ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), a não comparecer ao depoimento, Witzel afirmou ao UOL que vai à Comissão Parlamentar de Inquérito, no Senado. “Responderei a tudo que for possível”, disse o ex-governador.

Desde fevereiro, Witzel é réu por corrupção e lavagem de dinheiro no STJ (Superior Tribunal de Justiça). A Corte aceitou por unanimidade a denúncia contra ele sob acusação de participar de um esquema de desvio de verbas para o combate à pandemia de no estado. O ex-governador nega ter cometido as irregularidades.

Witzel é o segundo político dispensado de falar à CPI sobre a gestão da pandemia a nível estadual. Na semana passada, o STF também liberou o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), de falar à comissão. Alegando a necessidade de gerenciar a crise na segurança pública no estado, Lima não foi a Brasília. Naquele caso, quem liberou Lima de depor foi a ministra Rosa Weber.

Na ocasião, a Corte entendeu que Lima tem o direito de não produzir provas contra si mesmo, pois já é investigado no âmbito do MPF (Ministério Público Federal) por suspeita de corrupção durante a pandemia. Assim como o amazonense, Witzel também é alvo de investigações no Rio de Janeiro pelo mesmo motivo.

O depoimento de Witzel será o segundo de uma série marcada para esta semana. Ontem, a CPI ouviu o ex-secretário estadual de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo.

Para amanhã (17) estão previstas as oitivas do empresário bilionário Carlos Wizard e do auditor do TCU (Tribunal de Contas da União) Alexandre Marques. Senadores acreditam, porém, que Wizard não comparecerá. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), já disse que, caso o empresário realmente se ausente, fará uma convocação coercitiva.

Já na sexta-feira (18), será a vez dos médicos Dimas Zimmermann e Francisco Eduardo Aves, que devem falar em favor do uso de cloroquina no tratamento da covid-19, embora não haja comprovação científica da eficácia do remédio contra a doença.

Impeachment

A cassação do mandato de Witzel foi confirmada por um tribunal especial misto (formado por deputado estaduais do Rio e desembargadores) em 30 de abril deste ano. Ele foi condenado, por unanimidade, pelo crime de responsabilidade após denúncias de corrupção durante a pandemia. Witzel nega ter cometido irregularidades.

Na CPI da Covid, senadores esperam ouvir de Witzel detalhes sobre a destinação e aplicação de verbas federais para custeio de ações de enfrentamento à covid-19. Esse é um dos pontos de interesse da comissão, sobretudo da ala formada por congressistas aliados ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Com a pressão para ampliar o escopo da investigação e abranger governadores e prefeitos, os parlamentares da “tropa de choque bolsonarista” tentam amortecer o impacto do foco nas ações e eventuais omissões do Ministério da Saúde no decorrer da crise sanitária, que perdura desde o período entre fevereiro e março de 2020.

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