Desvios de recursos da antiga Agetop causaram prejuízo de mais de R$ 46 milhões

A Operação Terra Fraca, deflagrada na manhã desta terça-feira, 15, apura desvios de recursos da antiga Agetop, que causaram prejuízo de mais de R$ 46 milhões ao Estado.  O ex-governador José Eliton, atual presidente estadual do PSDB e o ex-presidente da Agetop, Jayme Rincón, são alvos da ação.

Nesta terça, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa, no condomínio Aldeia do Valle, e no escritório do ex-governador, no Setor Marista. Segundo Tito Amaral, advogado de Eliton, a polícia recolheu um pen-drive e o celular de José Eliton, além de copiaram arquivos de um computador no escritório do ex-governador. Jayme Rincón, no entanto, não tem mais endereço na capital goiana.

Ao todo, os mandados de busca contemplaram sete pessoas físicas e sete jurídicas, sendo dez em Goiânia, Goiás, e dois em Palmas, Tocantins. De acordo com a Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), a investigação do caso já ocorre há um ano. Contudo, não há um prazo definido para o encerramento do inquérito.

Os alvos estão sendo enquadrados nos crimes de peculato, crimes da lei de licitação, superfaturamento de obra, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Entenda o caso

Os desvios teriam sido cometidos entre os anos de 2013 e 2018, através de contrato celebrado com empresa privada, com superfaturamento da obra e subcontratação de outra empresa que sequer participou da licitação, fazendo com que as duas empresas fossem beneficiadas. A obra em questão é a da GO-239, que liga Água Fria a Mimoso. (Abaixo vídeo gravado em 16 de dezembro de 2020, na rodovia estadual)

Além do superfaturamento da obra, com a cobrança excessiva em cima de dele, também foi identificada a descaracterização do objeto – de modo que, na licitação da obra, o pedido era um, mas na execução, era feito algo distinto.

O que foi descoberto até o momento é que havia um núcleo político e financeiro que sustentava atuação da organização criminosa. Os indícios, segundo os investigadores, é que o núcleo político dava instruções ao financeiro. Assim, os núcleos gerenciavam os contratos da empresa, fornecendo pagamentos e a operacionalização de lavagem de dinheiro. No entanto, isso será investigado com maiores detalhes pela polícia.

O delegado-geral da Polícia Civil de Goiás considera este como mais um reflexo do aparelhamento do órgão público estatal, com a finalidade exclusiva de expropriação do patrimônio público. “Esse é um dinheiro que deveria ser investido em obras e demais utilidades a sociedade. As obras da rodovia deveriam ter sido concluídas nos anos próximos a 2013”, pontua.

Contrato celebrado com a empresa investigada foi anulado. Novo documento da atual Goinfra foi assumido com nova empresa para continuação da obra na GO-239.

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